A organização de direitos humanos Fair Square apresentou uma denúncia à Comissão de Ética do Comitê Olímpico Internacional (COI) contra o presidente da Fifa, Gianni Infantino, sob a alegação de que o dirigente descumpriu o dever de neutralidade política exigido aos membros da entidade olímpica. A representação também solicita que o COI apure uma suposta interferência política relacionada à realização da Copa do Mundo de 2026, que será disputada nos Estados Unidos, Canadá e México.
Na manifestação encaminhada ao COI, a organização afirma que Infantino “violou repetidamente as regras de neutralidade política do COI ao oferecer seu apoio político ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump”. A Fair Square acrescenta que apresentou elementos sobre outras duas supostas infrações que, segundo a entidade, também merecem investigação por parte da comissão responsável pela fiscalização da conduta ética dos integrantes do movimento olímpico.

Entre os pontos levantados está a alegação de que o presidente da Fifa teria cedido à pressão política do governo norte-americano para flexibilizar a aplicação das regras disciplinares da entidade durante partidas da Copa do Mundo de 2026. A ONG sustenta que essa possibilidade comprometeria a independência da governança esportiva e pede que o COI esclareça se houve influência externa sobre decisões relacionadas ao torneio.
A Fair Square também cita a aproximação entre Infantino e Donald Trump em eventos públicos realizados nos últimos meses. Um dos episódios mencionados ocorreu em fevereiro, quando o dirigente participou do chamado “Conselho da Paz”, iniciativa promovida pelo presidente dos Estados Unidos, utilizando um boné com as inscrições “USA” e “45-47”, referência aos dois mandatos presidenciais de Trump. Para a organização, a participação reforça a percepção de alinhamento político incompatível com os compromissos assumidos pelos membros do COI.
Como integrante do Comitê Olímpico Internacional, Infantino está submetido às normas da Carta Olímpica e ao Código de Ética da entidade. Ao assumir o cargo, os membros se comprometem a atuar de forma independente, preservando o movimento olímpico de interesses políticos, comerciais e pessoais que possam comprometer sua imparcialidade.
A denúncia ocorre em um momento de crescente exposição institucional da Fifa nos Estados Unidos. O país foi sede principal da Copa do Mundo de Clubes de 2025 e receberá, ao lado de Canadá e México, a Copa do Mundo de 2026, considerada a maior da história da competição, com 48 seleções participantes. A proximidade entre Infantino e autoridades do governo norte-americano já vinha sendo observada em eventos oficiais e agendas relacionadas aos torneios organizados pela Fifa.
Caso a Comissão de Ética do COI decida admitir a representação, poderá abrir uma apuração para verificar se houve violação das regras de conduta aplicáveis aos seus membros. Até o momento, o Comitê Olímpico Internacional não informou se analisará formalmente a denúncia, enquanto a Fifa e Gianni Infantino ainda não haviam se manifestado publicamente sobre o conteúdo das acusações.