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Eleições 2026

Corrente de Natália Bonavides no PT defende trocar Rafael Motta por nome do Psol na disputa ao Senado

Ala “Articulação de Esquerda” quer Psol na chapa majoritária e também defende vice de “perfil progressista”
Por O Correio de Hoje
14/07/2026 | 15:25

A corrente Articulação de Esquerda, uma das alas internas do PT, defendeu que o Psol ocupe a segunda vaga ao Senado na chapa governista para as eleições de 2026 no Rio Grande do Norte, em substituição ao ex-deputado federal Rafael Motta (PDT). No RN, a Articulação de Esquerda tem como seus principais membros a deputada federal Natália Bonavides e o vereador de Natal Daniel Valença.

Em nota divulgada nesta terça-feira 14, o grupo afirma que a composição ampliaria a unidade da esquerda e permitiria ao eleitor votar nos dois candidatos ao Senado identificados com o mesmo projeto político.

Natália Bonavides foto Kayo
Deputada federal Natália Bonavides é o principal nome da corrente no RN - Foto: Kayo Magalhães / Câmara

Internamente, o nome de Rafael Motta é rejeitado na ala interna do PT principalmente por dois motivos: o fato de ele ter votado a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff em 2016, quando era deputado federal, e a candidatura dele ao Senado em 2022, o que dividiu votos de esquerda e favoreceu a eleição do senador Rogério Marinho (PL). Naquela eleição, o PT apoiava o ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo.

No documento, a corrente de Natália Bonavides e Daniel Valença afirma que a principal prioridade do PT em 2026 é a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e sustenta que, no Estado, há condições favoráveis para que o partido dispute todos os cargos da chapa majoritária e proporcional com candidatos alinhados ao projeto petista.

A aliança liderada pelo PT no RN para as eleições de 2026 tem trabalhado as pré-candidaturas do ex-secretário da Fazenda Cadu Xavier ao Governo do Estado e da vereadora de Natal Samanda Alves ao Senado, tendo Rafael Motta como segundo nome ao Senado na chapa. A chapa foi formada no contexto da aliança composta pela federação Brasil da Esperança (PT-PV-PCdoB), PDT e PSB.

No fim de junho, a presidente do PT, Samanda Alves, convidou o Psol a integrar a chapa. No entanto, o partido — que integra uma federação com a Rede Sustentabilidade — decidiu seguir com candidaturas próprias e deverá lançar o professor universitário Robério Paulino para governador e a assistente social Lenny Grillo para vice-governadora, além do ex-deputado estadual Sandro Pimentel e da médica pediatra Sônia Godeiro para as duas vagas ao Senado.

Além disso, o PT mantém conversas com a federação PSDB/Cidadania, oferecendo a vaga de vice-governador. Nos bastidores, porém, a aliança é considerada improvável a essa altura.

Para a corrente Articulação de Esquerda, a segunda vaga ao Senado deveria ser destinada ao Psol. “Entendemos que uma campanha mobilizada precisa ser capaz de engajar a militância e a nossa base social em torno de um projeto de país e de RN e das candidaturas que defendem esse projeto de forma coerente e permanente”, afirma a corrente interna.

A corrente também propõe que a candidatura a vice-governador seja ocupada por um nome de perfil progressista, preferencialmente uma mulher com ligação aos movimentos populares. De acordo com o documento, “é imprescindível que a classe trabalhadora se identifique com a nossa chapa e o nosso programa”.

“No RN, temos um cenário melhor que em boa parte do País. Aqui poderemos votar 13 em todos os cargos em disputa, de governador à deputado estadual, e entendemos que essa é uma tática que ajuda a mobilização que precisamos para a campanha ser vitoriosa”, destaca a corrente interna.

A corrente afirma ainda que a campanha eleitoral deve ser marcada pela mobilização da militância e pela defesa do projeto político do PT em um cenário considerado adverso, diante do avanço da direita nas redes sociais.

“É nesse espírito que achamos que a unificação da esquerda é importante para a consolidação do palanque que pode ampliar a vitória do presidente Lula no RN e garantir vitórias estaduais para o governo e Senado. Além disso, devemos nos debruçar para apresentar um programa de governo que seja construído a partir do diálogo com os movimentos sociais, com as secretarias e setoriais do nosso partido e ouvindo a classe trabalhadora do RN. Isso implica envolver cada vez mais nossas candidaturas majoritárias em agendas que tenham esse perfil”, destaca a ala interna petista.

A nota acrescenta: “Em cada estado do país, o PT tem a tarefa de fazer uma campanha mobilizadora, politizada e que coloque em primeiro lugar a defesa do nosso projeto político. O desafio de fazer isso em tempos de algoritmos favoráveis à direita e em um ambiente de desmobilização será imenso.”

A federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB, fará sua convenção partidária em 25 de julho, um sábado, a partir das 9h, na Escola Estadual Professor Edgar Barbosa, em Lagoa Nova, na Zona Sul de Natal. O encontro deverá definir quais serão os candidatos apoiados pela sigla no pleito eleitoral de 2026.

A federação Psol/Rede fará sua convenção no dia seguinte, domingo, 26 de julho, às 10h, na Assembleia Legislativa, na Cidade Alta, também na capital potiguar.