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Declaração

Flávio acusa Moraes de interferir nas eleições e diz que carta de Bolsonaro foi o quinto recado público do ex-presidente

Durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais, o senador questionou o motivo de a última carta ter sido tratada de forma diferente pelo ministro
Redação
14/07/2026 | 09:09

O pré-candidato do PL à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro (RJ), afirmou nesta segunda-feira 13 que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), tenta interferir nas eleições ao proibir que ele visite o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo Flávio, a carta divulgada no último fim de semana foi o quinto recado público escrito por Bolsonaro desde o início do cumprimento das medidas cautelares e, ao contrário das mensagens anteriores, acabou motivando uma nova restrição judicial.

“A justificativa fajuta seria uma carta que o presidente Bolsonaro escreveu e que acabou sendo divulgada nas minhas redes sociais e em diversos outros canais de comunicação. Então, pessoal, é obviamente algo completamente desproporcional, desarrazoado e que configura, de forma clara, essa tentativa de Alexandre de Moraes de interferir nas eleições deste ano”, disse.

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Pré-candidato do PL à Presidência da República Flávio Bolsonaro afirmou que o ministro Alexandre de Moraes tenta interferir nas eleições. Foto: Reprodução

Durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais, o senador questionou o motivo de a última carta ter sido tratada de forma diferente pelo ministro.

“Foi a quinta vez que ele escreveu uma carta. E por que desta vez ele [Alexandre de Moraes] resolve questionar que eu estaria descumprindo alguma ordem judicial?”, afirmou.

A carta divulgada no fim de semana reafirma o apoio de Jair Bolsonaro à pré-candidatura do filho à Presidência da República e pede que aliados deixem divergências de lado às vésperas das convenções partidárias.

Flávio relembrou que a primeira mensagem foi publicada em 25 de dezembro de 2025, quando Bolsonaro confirmou, por escrito, sua indicação como pré-candidato do PL ao Palácio do Planalto. Segundo o senador, o texto foi lido após uma visita ao pai no hospital e transmitido ao vivo por emissoras de televisão, rádio e pelas redes sociais.

O parlamentar também citou outras três manifestações públicas do ex-presidente: uma carta publicada por Michelle Bolsonaro em 6 de fevereiro de 2026, em comemoração ao aniversário de casamento do casal; outra divulgada em 1º de março, em que Bolsonaro defendia a ex-primeira-dama de críticas nas redes sociais; e uma quarta mensagem, tornada pública em 2 de março, sobre as eleições em Mato Grosso do Sul.

Flávio negou que Jair Bolsonaro tenha determinado ou orientado a divulgação da quinta carta em suas redes sociais e argumentou que o conteúdo foi amplamente reproduzido por diversos veículos de comunicação.

“Qual é a diferença de eu publicar na minha rede, de publicar na rede da Michelle, de publicar no YouTube, de publicar nas centenas de veículos de comunicação, de sair no Jornal Nacional? Qual é a diferença? Nenhuma diferença”, declarou.

Na avaliação do senador, Alexandre de Moraes busca impedir que Bolsonaro manifeste apoio à sua candidatura.

“O que eu percebo é que Alexandre de Moraes quer interferir nas eleições. Quer, obviamente, que eu não seja candidato. Ele sabe da força que meu pai ainda tem, sabe da importância de uma manifestação dele a meu favor e quer impedir que isso aconteça”, afirmou.

Flávio também disse que a decisão judicial elimina uma das poucas formas de comunicação do ex-presidente com seus apoiadores e afirmou acreditar que Moraes procura “uma desculpa” para impor uma medida mais rigorosa contra Bolsonaro.

Na segunda-feira (13), Alexandre de Moraes proibiu Flávio Bolsonaro de visitar o pai após a divulgação da carta em que o ex-presidente reafirma apoio à pré-candidatura do filho. Na decisão, o ministro apontou indícios de descumprimento da medida cautelar que proíbe Bolsonaro de utilizar redes sociais, direta ou indiretamente, inclusive por intermédio de terceiros.

Comparação com Lula

Durante a transmissão, Flávio comparou as restrições impostas ao pai com o período em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esteve preso entre 2018 e 2019. Segundo ele, Lula conseguiu manter articulações políticas enquanto cumpria pena, ao contrário de Bolsonaro.

“Lula podia fazer tudo. Deu entrevista, recebia visita todos os dias sem problema nenhum. Qual é o critério agora com o presidente Bolsonaro?”, questionou.

O senador citou a entrevista concedida por Lula aos jornais El País e Folha de S.Paulo em maio de 2019. Em abril daquele ano, o Supremo Tribunal Federal autorizou que o petista fosse entrevistado após pedido apresentado meses antes pelos dois veículos.

Flávio afirmou ainda que existem pedidos de entrevista de Jair Bolsonaro aguardando análise no STF e acusou Alexandre de Moraes de não consultar a defesa sobre a possibilidade de o ex-presidente conceder entrevistas.

O senador informou que também integra a defesa jurídica do pai e disse ter acionado o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para que a entidade se manifeste em defesa de suas prerrogativas profissionais.

“Quer me deixar incomunicável com o próprio pai já é um absurdo. E não vai poder impedir que um advogado converse com o seu cliente, ainda que seja o advogado filho e o cliente seja o seu próprio pai”, afirmou.

Críticas a Lula e ao tarifaço

Flávio Bolsonaro também criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela condução das negociações entre Brasil e Estados Unidos diante da possibilidade de novas tarifas sobre produtos brasileiros.

“É o presidente da República que, a todo momento, está pedindo tarifação do Brasil, atacando os Estados Unidos. O Lula é o único no Brasil que quer tarifa dos Estados Unidos”, declarou.

O senador elogiou a viagem que fez aos Estados Unidos na semana passada para participar de uma audiência pública sobre o chamado “tarifaço” e criticou o governo federal por não enviar representantes para negociar com autoridades americanas.

A disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos tem sido explorada pela pré-campanha de Flávio Bolsonaro. A audiência também contou com a participação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que atualmente vive nos Estados Unidos.

Na ocasião, discursando em inglês, Flávio afirmou que uma eventual tarifa aplicada antes das eleições presidenciais brasileiras poderia favorecer o governo Lula.

“O Brasil realizará eleições presidenciais em outubro. Em apenas 90 dias, o cenário político do país mudará completamente, e impor agora uma tarifa, que seria difícil de reverter, recompensaria os responsáveis pelas ações em questão”, disse.

Expectativa para as eleições

Ao encerrar a transmissão, Flávio declarou esperar receber a faixa presidencial das mãos do pai caso seja eleito em outubro. Jair Bolsonaro, entretanto, foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e cumpre atualmente prisão domiciliar.

O senador também lamentou que não poderá levar pessoalmente ao pai as mensagens de apoio recebidas de eleitores.

“Você que já me encontrou e falou para eu mandar um abraço nele. Agora eu não vou conseguir dar”, afirmou.