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Renan Santos

Renan investe na música e tenta separar carreira de rock da política

Líder do Missão afirma separar carreira musical da campanha eleitoral, atua como vocalista da banda Limão Rosa sob o nome de Antônio Ferreira e critica projeto musical do presidente argentino
Por O Correio de Hoje
14/07/2026 | 15:15

O pré-candidato à Presidência da República pelo Missão, Renan Santos, tem apostado na música paralelamente à campanha eleitoral e procura manter essa atividade distante da atuação política. Admirador declarado do presidente argentino Javier Milei, que também lidera uma banda de rock, Renan afirma que não pretende seguir o estilo musical do mandatário. Para ele, o show realizado por Milei com a La Banda Presidencial, formada por aliados políticos, foi “muito cafona”. “O Milei é um presidente inovador, mas a banda dele, musicalmente falando, é muito cafona”, disse.

Nos palcos, Renan prefere adotar o nome “Antônio Ferreira”, seus nomes do meio, para atuar como vocalista e guitarrista da banda Limão Rosa. O grupo também reúne o ex-deputado estadual Arthur do Val, o “Mamãe Falei”, na bateria, e Gustavo Moledo, irmão de Arthur, no baixo. Na última sexta-feira, pouco mais de um mês antes do início oficial da campanha, a banda realizou duas apresentações consecutivas do álbum de estreia, Chão Pintado de Rubi, no Bar Alto, tradicional casa de shows da Vila Madalena, em São Paulo, diante de cerca de 300 pessoas.

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Pré-candidato à Presidência da República Renan Santos, do partido Missão - Foto: Instagram / Reprodução

Durante as apresentações, a política ficou em segundo plano. Renan limitou suas falas a interações com o público e orientações sobre o show, enquanto Arthur do Val fez comentários sobre as letras compostas pelo colega. Parte da plateia, incluindo apoiadores identificados com o partido Missão, puxou coros, pediu músicas específicas e entoou gritos de incentivo ao baterista.

Segundo Renan, a banda já começou a alcançar ouvintes sem ligação com o Movimento Brasil Livre (MBL), organização da qual é fundador.

“No Spotify, a gente já furou a bolha. Tem uma banda, Exclusive Os Cabides, que toca numa cena alternativa e o público deles ouve a gente pra caralho. Então, já é sintomático: os algoritmos estão nos jogando para um público que não tem nada a ver com o MBL”, afirmou. Atualmente, a Limão Rosa soma cerca de 37,3 mil ouvintes mensais na plataforma de streaming.

A faixa de maior repercussão do grupo é Sheherazade Blues, com 275 mil reproduções, música em que Renan toca gaita e que rendeu comparações com Bob Dylan. A canção, assim como outras do repertório, retrata personagens femininas, o que levou o pré-candidato a ironizar a fama de machista atribuída ao MBL.

“O tipo e letra que eu gosto de fazer, em geral, são histórias. Tem algumas que são confessionais, e outras são histórias. Mariana é uma história, Sheherazade são cinco histórias, Garota do Sul… É verdade, tem muita música de mulher. Para um movimento machista, até que está bom. Assim, elas são bem protagonistas nas músicas. Eu fui irônico, tá?”, declarou.

O título do álbum faz referência à música Morte ao Rei, que narra uma revolta popular liderada pelo clero contra um monarca descrito como “sem razão”. Apesar do enredo, Renan nega qualquer relação da composição com o cenário político atual.

Criada em dezembro de 2024, a Limão Rosa representa uma nova experiência musical para Renan e Arthur do Val, que já haviam integrado outros projetos em São Paulo — o primeiro ligado ao rock indie e o segundo ao reggae.

O presidenciável rejeita tratar a banda como um passatempo e diz que a dedicação à música exige intenso envolvimento. “Mas é um trabalho que a gente gosta. Para mim, é uma forma de desligar. Imagina, eu tô em campanha presidencial, isso aqui desliga a minha cabeça totalmente. Eu fico feliz”, afirmou.