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Oriente Médio

Irã desafia EUA com míssil e ameaças

Imagens divulgadas pela Guarda Revolucionária reforçam a escalada da guerra psicológica entre Teerã e Washington, enquanto conflito amplia tensão no Oriente Médio e pressiona mercado do petróleo
Por O Correio de Hoje
14/07/2026 | 13:44

A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã ganhou um novo símbolo nesta segunda-feira, 13. Um vídeo divulgado pela agência iraniana Fars, ligada à Guarda Revolucionária, mostra um míssil balístico Qadr antes do lançamento em direção a alvos americanos no Oriente Médio. Pintada em vermelho sobre o corpo do projétil aparece a frase em inglês “Game Over, USA” (“Fim de jogo, Estados Unidos”), em uma demonstração do endurecimento do discurso iraniano em meio à troca de ataques militares entre os dois países.

As imagens foram divulgadas poucas horas depois de novas ofensivas iranianas contra instalações militares dos Estados Unidos no Bahrein, Kuwait e Jordânia. Segundo a Guarda Revolucionária, os ataques representam uma resposta aos bombardeios realizados pelas forças americanas contra dezenas de alvos militares iranianos no domingo, 12. Washington afirma que a operação busca reduzir a capacidade do Irã de interferir na navegação no Estreito de Ormuz, principal corredor marítimo para o transporte mundial de petróleo.

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Vídeo divulgado por estatal iraniana mostra míssil com a inscrição “Game Over” - Foto: reprodução / internet

O vídeo também amplia a guerra psicológica entre os dois governos. A mensagem estampada no míssil foi interpretada por analistas como uma demonstração de desafio direto ao governo do presidente Donald Trump, que nas últimas semanas elevou o tom contra Teerã ao anunciar sucessivas operações militares e defender maior presença americana na região do Golfo Pérsico.

No domingo, 12, Trump afirmou, em entrevista à emissora NBC, que o Irã teria aceitado um acordo considerado por ele “perfeito” durante negociações realizadas no fim de semana.

“Nada de energia nuclear, nada disso, nada daquilo, nada de nada. Eles abriram mão de tudo”, declarou o presidente americano ao comentar o encontro diplomático.

A declaração, porém, foi imediatamente rejeitada por Teerã. Nesta segunda-feira, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, classificou as afirmações de Trump como “absolutamente falsas” e afirmou que o programa nuclear iraniano sequer esteve na pauta das conversas realizadas em Omã.

Segundo Baghaei, o único tema discutido entre representantes dos dois países foi a situação do Estreito de Ormuz, enquanto mediadores internacionais continuam tentando preservar um canal de diálogo entre Washington e Teerã.

O porta-voz também afirmou que o Irã cumpriu “de boa-fé e com seriedade” os compromissos assumidos no memorando de entendimento firmado anteriormente com os Estados Unidos e responsabilizou Washington pela deterioração do acordo. “Nunca fomos os primeiros a violar nossos compromissos.”

Ele acrescentou que o governo iraniano continuará respondendo de forma proporcional caso considere que os Estados Unidos descumpram o entendimento firmado.

“Cada vez que a outra parte deixou de cumprir suas obrigações, nós também deixamos de cumprir as nossas… e continuaremos a agir dessa maneira.”

Enquanto as declarações aumentavam a tensão diplomática, os reflexos chegaram rapidamente aos mercados internacionais. O petróleo Brent, referência mundial para negociação da commodity, voltou a subir de forma expressiva e passou a ser negociado próximo de US$ 80 por barril. A cotação acumula alta de aproximadamente 4% apenas nesta segunda-feira e cerca de 10% em relação ao início da semana passada, refletindo o receio de interrupções prolongadas no fornecimento mundial de energia.

As bolsas asiáticas também encerraram o dia em queda, acompanhando a deterioração do cenário geopolítico. Investidores acompanham principalmente a situação do Estreito de Ormuz, passagem responsável por aproximadamente um quinto de todo o petróleo consumido no mundo e considerada um dos pontos mais estratégicos do comércio internacional.

A situação permanece marcada por versões conflitantes. Donald Trump sustenta que a rota marítima continua aberta sob proteção americana. Já o governo iraniano afirma que o estreito segue fechado até que sejam restabelecidas condições consideradas seguras para a navegação. Segundo Teerã, nenhuma embarcação poderá cruzar a passagem enquanto persistirem as operações militares dos Estados Unidos na região.

Na madrugada desta segunda-feira, 13, o Irã informou ter atingido instalações militares americanas no Bahrein, Kuwait e Jordânia, ampliando o alcance regional do conflito. Os ataques foram apresentados como resposta direta aos bombardeios realizados pelos Estados Unidos na noite anterior contra posições militares iranianas.

O Comando Central americano afirma que as operações têm como objetivo degradar a infraestrutura militar utilizada pelo Irã para ameaçar embarcações comerciais e garantir a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz. O governo americano considera que as recentes ações iranianas colocam em risco uma das principais rotas marítimas do planeta e justificam a continuidade das ofensivas militares.

Com a divulgação do vídeo do míssil Qadr e o agravamento das hostilidades, aumentam as preocupações sobre uma ampliação do conflito para outros países do Oriente Médio. Além do impacto direto sobre o mercado de energia, diplomatas e analistas acompanham a tentativa de mediadores internacionais de evitar o colapso definitivo das negociações entre Washington e Teerã, enquanto os dois governos mantêm discursos cada vez mais duros e seguem trocando ataques militares e acusações públicas.