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Meio Ambiente

Cientistas do clima estão com menos recursos

Reduções de recursos, demissões e interrupção de programas científicos durante o governo Donald Trump levantam preocupações sobre a capacidade de acompanhar as mudanças climáticas em meio ao aumento dos eventos extremos
Por O Correio de Hoje
14/07/2026 | 13:40

Enquanto ondas de calor históricas elevam as temperaturas acima dos 40°C em diferentes regiões da Europa e da América do Norte, incêndios florestais se espalham por diversos países e secas prolongadas afetam milhões de pessoas, cresce a preocupação da comunidade científica com um problema menos visível, mas considerado igualmente estratégico: o enfraquecimento da infraestrutura responsável por monitorar o clima do planeta. Nos Estados Unidos, propostas de cortes orçamentários, demissões em órgãos federais e interrupção de programas de pesquisa durante o governo do presidente Donald Trump levantam dúvidas sobre a capacidade mundial de acompanhar as mudanças climáticas justamente em um momento de intensificação dos eventos extremos.

O monitoramento climático depende de uma rede internacional que funciona de forma integrada. Todos os dias, bilhões de informações são coletadas por satélites, boias oceânicas, radares meteorológicos, estações em terra, balões atmosféricos, sensores e embarcações de pesquisa espalhados pelo planeta. Esses dados são compartilhados entre os países sob coordenação da Organização Meteorológica Mundial (OMM), permitindo alimentar modelos computacionais utilizados para prever tempestades, secas, ondas de calor, ciclones, elevação do nível do mar e outros fenômenos atmosféricos.

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Nesse sistema global, os Estados Unidos ocupam posição central. A Nasa mantém mais de 20 satélites dedicados à observação da Terra, enquanto a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) opera ou participa da operação de outros 15 satélites, além de coordenar centenas de programas de observação oceânica, atmosférica e terrestre utilizados por cientistas em diversos países.

Desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca, em janeiro de 2025, a política para a área científica passou por mudanças significativas. A administração apresentou sucessivas propostas de redução de recursos para órgãos ligados ao monitoramento ambiental e climático. A mais recente, referente ao orçamento do ano fiscal de 2027, prevê cortes de aproximadamente US$ 1,7 bilhão na NOAA, US$ 5,6 bilhões na Nasa e cerca de US$ 4,8 bilhões na Fundação Nacional de Ciência (NSF), além de reduções em outros programas federais de pesquisa. Como toda proposta orçamentária, as medidas ainda dependem da aprovação do Congresso americano.

Embora parlamentares tenham barrado ou reduzido parte dessas propostas nas negociações orçamentárias, os impactos já começaram a aparecer. Projetos científicos foram encerrados, plataformas de dados foram descontinuadas, páginas eletrônicas deixaram de ser atualizadas e centenas de pesquisadores perderam seus cargos. Organizações científicas estimam que milhares de servidores já deixaram a NOAA entre demissões, aposentadorias antecipadas e programas de desligamento voluntário desde o início do atual governo.

Outra preocupação envolve o sistema de observação dos oceanos mantido pela Fundação Nacional de Ciência. O governo chegou a propor sua extinção completa durante a elaboração do orçamento, mas recuou após forte pressão de parlamentares e da comunidade científica. O sistema é considerado essencial para acompanhar fenômenos como El Niño, La Niña, circulação oceânica, temperatura dos mares e mudanças climáticas de longo prazo.