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Política

“A gente não abaixa a cabeça para machista”, diz Brisa sobre inquérito contra Faustino

Vereadora afirma que abertura de investigação pela Polícia Federal representa um avanço após denúncia de violência política de gênero apresentada ao Ministério Público Eleitoral
Redação
10/07/2026 | 11:36

A vereadora Brisa Bracchi (PT) afirmou nesta sexta-feira 10 que seu mandato “não abaixa a cabeça para machista” ao comentar a abertura do inquérito da Polícia Federal que apura suposto crime de violência política de gênero atribuído ao vereador Matheus Faustino. Em vídeo publicado nas redes sociais nesta sexta-feira 10, a parlamentar disse que a investigação representa um avanço após meses de espera pela análise da denúncia encaminhada ao Ministério Público Eleitoral (MPE).

Segundo Brisa, o mandato levou tempo para compreender que os episódios enfrentados configurariam violência política de gênero e também teve receio de formalizar a denúncia. “Depois de dias tão difíceis, de meses tão difíceis de percepção, de entender que era uma violência, que era uma violência política de gênero, que não era normal o que a gente passava todos os dias no mandato. Teve coragem de fazer a denúncia, porque durante muito tempo a gente teve medo de denunciar e de não dar em nada”, afirmou.

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Brisa Bracchi comentou nas redes sociais a abertura do inquérito da Polícia Federal que investiga denúncia de violência política de gênero contra o vereador Matheus Faustino. - Foto: reprodução redes e José Aldenir / Agora RN

A vereadora disse que a instauração do inquérito trouxe a sensação de que a denúncia foi acolhida pelos órgãos responsáveis e afirmou que o caso passa agora a ser apurado pela Polícia Federal. “Agora ele não vai ter que dar explicação para mim, nem para os vereadores lá da Câmara. Agora ele vai ter que dar explicação para a Polícia Federal, porque ele alimenta e organiza uma rede de ódio que persegue o nosso mandato, que persegue a minha vida.”

Na publicação, a parlamentar disse que a investigação também representa um passo no enfrentamento da violência política contra mulheres. “A gente está aqui para dar a nossa vida para lutar contra a violência, contra a violência física que as mulheres sofrem, contra a violência psicológica que as mulheres sofrem, mas contra a violência política também que a gente sofre quando está no parlamento.”

Ao final da manifestação, Brisa agradeceu às pessoas que a apoiaram durante o andamento da denúncia. “Eu queria agradecer a todo mundo que me deu forças para que eu pudesse chegar até aqui, que prestou solidariedade nos momentos mais difíceis, que me deu coragem para denunciar, em especial à minha amiga e companheira Isolda, que esteve comigo esse tempo inteiro. (…) Que a Justiça prevaleça e seja feita. Desculpem a emoção, mas hoje não é um dia qualquer”, concluiu.

Contexto do caso

A Polícia Federal instaurou inquérito para investigar a suposta prática de violência política de gênero atribuída ao vereador Matheus Faustino contra a vereadora Brisa Bracchi. A abertura da investigação foi comunicada ao mandato da parlamentar pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) na quinta-feira 9. No ofício, a Promotoria Eleitoral da 2ª Zona Eleitoral de Natal informou que a notícia de fato foi encaminhada à Polícia Federal, resultando na instauração do Inquérito Policial nº 2026.0068323 (DELINST/DRPJ/SR/PF/RN).

A investigação teve origem em uma notícia de fato apresentada em fevereiro deste ano. O documento reúne episódios que, segundo o denunciante, configurariam violência política de gênero. Entre eles, a publicação de mais de 50 vídeos nas redes sociais do vereador com ataques direcionados à parlamentar, incluindo o uso de sua imagem em conteúdos editados com inteligência artificial. O relato também sustenta que as publicações apresentavam padrão de repetição e personalização, com potencial para causar dano à reputação e incentivar hostilidade pública.

O Código Eleitoral define como violência política de gênero a conduta de assediar, constranger, humilhar, perseguir ou ameaçar candidata ou detentora de mandato eletivo, utilizando menosprezo ou discriminação à condição de mulher ou à cor, raça ou etnia, com o objetivo de impedir ou dificultar a campanha eleitoral ou o exercício do mandato. A pena prevista é de um ano e quatro meses de reclusão, além de multa.

Confira o vídeo: