O chefe do Comitê de Arbitragem da Fifa, Pierluigi Collina, reforçou a independência da arbitragem da Copa do Mundo de 2026 e afirmou que nenhum árbitro da competição sofre influência política ou institucional na tomada de decisões. A declaração foi dada em meio às críticas envolvendo a atuação do brasileiro Raphael Claus e às reclamações da Federação Egípcia sobre a arbitragem da partida entre Argentina e Egito pelas oitavas de final.
Em entrevista distribuída pela Fifa, o ex-árbitro italiano classificou como inaceitáveis as acusações que colocam em dúvida a integridade dos profissionais escalados para o Mundial. Segundo ele, esse tipo de manifestação extrapola o debate esportivo e pode gerar consequências pessoais para os árbitros.

“Quando isso acontece, pode provocar reações que resultam em ameaças contra eles e suas famílias. Isso não é aceitável”, afirmou.
Collina também respondeu às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que nesta semana classificou Raphael Claus como “suspeito” após a expulsão do atacante Folarin Balogun nas oitavas de final. O brasileiro tornou-se alvo das críticas depois de aplicar cartão vermelho ao jogador americano, posteriormente mantido pela Fifa, embora a suspensão automática tenha sido retirada pelo Comitê Disciplinar da entidade.
Sem citar diretamente Trump, o dirigente reiterou que nem mesmo o presidente da Fifa, Gianni Infantino, interfere nas decisões tomadas em campo.
“Da mesma forma, ninguém pode afirmar que a arbitragem da Fifa pode ser influenciada por qualquer pessoa, nem mesmo pelo presidente Gianni Infantino. Os árbitros tomam decisões honestas e, assim como jogadores e técnicos, sempre dão o melhor de si.”
As declarações também abordaram a arbitragem do francês François Letexier na vitória da Argentina por 3 a 2 sobre o Egito, partida marcada por reclamações da equipe africana. O principal questionamento ocorreu após o VAR recomendar a revisão que resultou na anulação de um gol egípcio por falta na origem da jogada. Outro lance contestado envolveu um contato entre Julián Álvarez e Mohamed Salah na origem do gol da classificação argentina. A Federação Egípcia apresentou protesto formal à Fifa após a eliminação.
Ao explicar o protocolo do árbitro de vídeo, Collina afirmou que a análise da origem das jogadas não possui limite de tempo ou distância em relação ao momento do gol.
“Se uma falta for identificada na construção da jogada e for considerada como tendo impacto no gol, o VAR recomendará uma revisão em campo. Não há limite definido em relação à distância do gol ou ao tempo decorrido entre o incidente e o gol”, disse.
Na avaliação do dirigente, a intervenção do VAR foi correta porque Marwan Attia cometeu falta sobre Lisandro Martínez antes do contra-ataque que terminou com a bola na rede.
“Attia claramente pisa no pé do argentino de número 6, Lisandro Martínez”, acrescentou.
Sobre o lance envolvendo Salah e Julián Álvarez, Collina ressaltou que a arbitragem considerou o contato compatível com uma disputa normal de bola e lembrou que algumas decisões permanecem sujeitas à interpretação do árbitro.
“Pisar no pé de um adversário é falta, enquanto um defensor que toca a bola primeiro e depois faz um contato normal de jogo não cometeu infração. Novamente, um exemplo disso ocorreu no final da mesma partida. O árbitro e o VAR consideraram que houve contato normal de jogo entre o egípcio de número 10, Mohamed Salah, e o argentino de número 10, Julián Álvarez”, detalhou.
Ele reconheceu que a arbitragem envolve avaliações subjetivas em determinados momentos, mas afirmou que a Fifa considera positiva a aplicação dos critérios durante o torneio.
“É claro que sempre haverá um elemento de subjetividade em algumas decisões, mas estamos satisfeitos com a forma como esse princípio foi aplicado ao longo do torneio”, explicou.