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Caminhada

Idosos devem caminhar na areia molhada

Faixa de areia molhada, próxima ao mar, é considerada mais adequada para idosos e pessoas com dores nas costas
Por O Correio de Hoje
08/07/2026 | 16:26

Caminhar à beira-mar é uma das atividades físicas mais comuns durante férias e períodos de descanso, mas nem sempre é tão inofensiva quanto parece. Especialistas alertam que o tipo de areia escolhido pode fazer diferença na saúde das articulações, dos músculos e da coluna, especialmente entre idosos, pessoas com dores crônicas ou com pouco preparo físico. Embora o contato com a natureza favoreça a circulação sanguínea, reduza o inchaço nas pernas e proporcione benefícios para o bem-estar mental, a instabilidade do terreno exige alguns cuidados para evitar lesões.

Segundo o traumatologista José Nebot, dos hospitais Vithas Castellón, Vithas Valencia Consuelo e Vithas 9 de Octubre, a melhor opção para quem tem mais de 60 anos ou sofre com dores nas costas é caminhar na faixa de areia molhada, próxima ao mar. “O ideal para pessoas com mais de 60 anos ou que tenham dores nas costas é caminhar pela parte molhada, próxima à beira da água”, afirma José Nebot.

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Caminhar na areia pode causar lesões; especialistas indicam tipo mais seguro de terreno - Foto: magnific

As orientações fazem parte de um relatório elaborado pelo grupo internacional RBA, que reúne recomendações biomecânicas para reduzir o risco de lesões em pessoas com doenças pré-existentes ou musculatura pouco condicionada. De acordo com os especialistas, o principal problema está na areia seca, onde o solo é instável e exige um esforço maior do organismo para manter o equilíbrio.

Ao caminhar sobre a areia fofa, os pés afundam a cada passo, obrigando tornozelos, joelhos, quadris e coluna a realizarem constantes ajustes posturais. Esse esforço aumenta significativamente o recrutamento da musculatura e pode provocar fadiga precoce, principalmente em pessoas sedentárias ou com limitações físicas.

Entre os principais problemas associados à caminhada prolongada na areia seca estão dores nos joelhos e quadris, sobrecarga muscular nas pernas, entorses de tornozelo provocadas por pisadas irregulares e lombalgia. A distribuição desigual do peso corporal também favorece o surgimento de desconfortos articulares e musculares.

A podóloga Neus Moya explica que a areia seca exige praticamente o dobro do esforço dos tendões em relação ao solo firme. Segundo ela, isso acontece porque os pés passam a maior parte do ano protegidos por calçados, adaptados a superfícies rígidas. Quando caminham descalços em um terreno instável, músculos e tendões precisam trabalhar muito mais para garantir estabilidade.

Já a areia molhada oferece uma superfície mais compacta e uniforme, permitindo uma pisada mais firme e reduzindo o impacto sobre as articulações. Além disso, caminhar com parte das pernas em contato com a água proporciona uma resistência natural semelhante à de exercícios realizados em piscina, fortalecendo a musculatura e estimulando a circulação.

Mesmo assim, os especialistas alertam que a faixa de areia úmida também apresenta riscos quando possui inclinação acentuada. Caminhar durante longos períodos em terrenos inclinados faz com que uma das pernas suporte mais peso que a outra, sobrecarregando principalmente o quadril e a coluna. Por isso, a orientação é procurar trechos mais planos e alternar o sentido da caminhada para distribuir melhor a carga entre os dois lados do corpo.

Além dos benefícios físicos, a caminhada à beira-mar também contribui para a saúde mental. A psicóloga María Calle Llorente, da Blua de Sanitas, destaca que o contato com o ambiente natural, o som das ondas e a prática de atividade física ao ar livre ajudam a reduzir os níveis de estresse e favorecem o equilíbrio emocional.

Apesar das vantagens, o calor intenso merece atenção, principalmente entre os idosos. As altas temperaturas aumentam o risco de desidratação e insolação, motivo pelo qual os especialistas recomendam realizar caminhadas apenas nas primeiras horas da manhã ou no fim da tarde, evitando os períodos de maior incidência solar.

Os cuidados também devem incluir a proteção da pele. O dorso dos pés costuma ficar exposto ao sol e pode sofrer queimaduras, enquanto a planta dos pés está sujeita ao contato direto com a areia superaquecida. Por isso, os especialistas orientam o uso de protetor solar de amplo espectro, alongamentos antes da atividade e interrupção imediata da caminhada caso surjam dores persistentes, reduzindo o risco de lesões durante os passeios à beira-mar.