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Saúde

Gordura no fígado afeta um em cada três brasileiros

Gastroenterologista afirma que doença está fortemente associada à obesidade, pré-diabetes e diabetes e destaca que o principal risco é a progressão para fibrose hepática.
Por O Correio de Hoje
07/07/2026 | 15:38

A chamada doença hepática gordurosa — conhecida popularmente como gordura no fígado — não deve ser encarada como um achado sem importância, embora seja comum. Segundo o gastroenterologista José Gurgel, a gordura no fígado está presente em cerca de 30% da população, o equivalente a uma em cada três pessoas. Entre indivíduos com pré-diabetes ou diabetes, a frequência é ainda maior, podendo atingir até 70%.

“A grande pergunta hoje não é ‘eu tenho gordura no fígado?’. Você tem que mudar a pergunta para: ‘Eu tenho fibrose no meu fígado?’.”

Gordura no fígado afeta um em cada três brasileiros - Agora RN
Gordura no fígado atinge cerca de 30% da população e pode evoluir para cirrose, alerta especialista

O especialista explicou que a gordura acumulada no órgão pode representar apenas o estágio inicial de uma doença progressiva. Em alguns pacientes, o quadro evolui para hepatite, depois para fibrose — caracterizada pela formação de cicatrizes no fígado — e, posteriormente, para cirrose.

“Em muitos casos ela é progressiva. O fígado, com o passar do tempo, vai evoluindo para doenças piores.”

A principal causa da doença está relacionada ao excesso de calorias consumidas diariamente, especialmente por meio de alimentos ultraprocessados e bebidas ricas em frutose, como refrigerantes.

“Excesso de caloria, alimentos ricos em frutose, bebidas ricas em frutose — não estou falando das frutas. Estou falando de bebidas ricas em frutose, que os refrigerantes gaseificados são muito ricos, entre outras bebidas. Tudo isso leva a um acúmulo dentro da célula hepática.”

Ele destacou que o problema não se restringe ao fígado, mas faz parte de um conjunto de alterações metabólicas que envolvem obesidade, sobrepeso e diabetes.

“A maior parte dessas gorduras no fígado geralmente está acompanhada de sobrepeso ou obesidade, pré-diabetes e diabetes. Já começa a complicar um pouquinho. Porque você pode ter algo mais além do que uma simples gordurinha. Você tem uma doença sistêmica do corpo todo.”

O médico também chamou atenção para o impacto da doença hepática gordurosa na necessidade de transplantes.

“Grande parte dos transplantes de fígado nos EUA está sendo feita por pacientes que tiveram uma gordurinha e que evoluíram para fibrose e cirrose.”

Segundo o especialista, existe uma relação direta entre diabetes e doença hepática gordurosa. O excesso de glicose no sangue sobrecarrega o fígado, dificulta o funcionamento das células hepáticas e favorece o acúmulo de gordura.

“O diabetes é uma doença metabólica. O fígado acaba ficando sobrecarregado. Dentro da célula do fígado, os mecanismos não aguentam mais. Com o passar do tempo vai acumulando gordura e acaba desencadeando esse processo.”

Ele explicou que a resistência à insulina também participa desse mecanismo.

“A glicose não entra dentro da célula. A célula não escuta a insulina. Chega uma hora que o pâncreas não aguenta mais, está extenuado, não fabrica mais insulina. O que era pré-diabetes vira diabetes, e aí começa toda a cascata de problemas.”