A morte de uma menina de 10 anos após um acidente com uma rede dentro de casa, em Mossoró, levou o Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Norte (CBMRN) a reforçar orientações para prevenir casos de enforcamento, estrangulamento e sufocamento acidental envolvendo crianças. Segundo a corporação, objetos comuns nas residências podem representar riscos quando utilizados de forma inadequada ou sem supervisão de um adulto.
A vítima, Maria Vitória Silva de Morais, morreu no último domingo 5, após um acidente ocorrido na casa da avó, no bairro Pintos, em Mossoró, na Região Oeste do estado. De acordo com a Polícia Civil, o caso foi registrado como suspeita de enforcamento acidental.

A menina foi socorrida pela mãe e levada ao Hospital Municipal Francisca Conceição da Silva. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, a equipe médica conseguiu reanimá-la inicialmente, mas ela sofreu uma parada cardíaca pouco depois e morreu na unidade hospitalar.
Após o caso, o Corpo de Bombeiros chamou atenção para a necessidade de medidas preventivas dentro de casa.
“Situações como essa servem como um alerta para um risco que muitas vezes passa despercebido dentro das nossas casas. O risco de enforcamento, estrangulamento e sufocação acidental envolvendo as crianças. Redes de dormir, berços, bebê conforto, cadeirinhas, fitas, cortinas e outros objetos que possuam algum tipo de alça ou laço podem representar um grande perigo se forem utilizados de forma inadequada e, principalmente, sem a supervisão dos adultos”, informou a corporação.
Segundo os bombeiros, crianças pequenas não conseguem identificar situações de risco e podem ficar presas em tecidos, cordas de redes ou cintos de segurança sem conseguir se desvencilhar.
“É importante que esses equipamentos sejam utilizados de forma correta, instalados adequadamente e sempre observando a idade da criança”, orientou a corporação.
O CBMRN recomenda que crianças nunca permaneçam sozinhas próximas a redes de dormir, principalmente quando o tecido pode formar espaços capazes de comprimir o pescoço.
“Elas nunca devem permanecer sozinhas sem o acompanhamento dos adultos, ainda mais se houver redes com a possibilidade de enrolar o tecido e formar espaços que possam comprimir o pescoço”, alertou.
A corporação também recomenda atenção aos berços e demais equipamentos destinados às crianças. Segundo a orientação, berços devem seguir normas de segurança e não devem conter cordões, brinquedos pendurados, almofadas ou objetos que aumentem o risco de sufocação ou estrangulamento.
Em relação aos bebês-conforto e cadeirinhas, os bombeiros reforçam que esses equipamentos devem ser utilizados apenas durante o transporte das crianças, não sendo indicados para períodos prolongados de sono.
Para o Corpo de Bombeiros, a principal forma de evitar acidentes continua sendo a supervisão constante dos responsáveis.
“A principal medida continua sendo a prevenção e a supervisão constante dos adultos para evitar esse tipo de acidente doméstico, que acontece em poucos segundos e dentro de um ambiente considerado seguro pela família”, informou.
O CBMRN também orienta que os responsáveis façam avaliações preventivas nas residências para identificar possíveis riscos e adotem medidas de segurança. Em situações de emergência, a recomendação é acionar imediatamente o telefone 193.
O caso
Maria Vitória Silva de Morais, de 10 anos, morreu no domingo 5 após um acidente com uma rede na casa da avó, no bairro Pintos, em Mossoró. A Polícia Civil tratou o caso como suspeita de enforcamento acidental e instaurou inquérito para apurar as circunstâncias da morte.
Segundo o delegado Luiz Antônio, a menina tinha o hábito de brincar enrolando a rede ao corpo e girando. A suspeita é que ela tenha passado mal ou ficado tonta durante a brincadeira e, ao cair, a rede tenha ficado presa ao pescoço.
“Ou ela passou mal ou não se sabe se ficou tonta e, ao cair, a rede sufocou ela, enganchou no pescoço”, afirmou o delegado.
A criança foi socorrida pela mãe e levada ao Hospital Municipal Francisca Conceição da Silva. Ela chegou a ser reanimada, mas sofreu uma parada cardíaca e morreu. A Polícia Civil aguarda os exames da medicina legal para concluir o inquérito.
Maria Vitória viajaria para Minas Gerais na segunda-feira 6, onde passaria a morar com a mãe.
