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Música Preta Potiguar

Série destaca artistas negros do RN

Projeto reúne performances e entrevistas com Jennify C., Sourebel e Gracinha para registrar a diversidade da produção musical negra potiguar
Por O Correio de Hoje
07/07/2026 | 16:47

Há um retrato da música negra produzida no Rio Grande do Norte que raramente aparece reunido em um mesmo lugar. O Música Preta Potiguar nasceu justamente para preencher essa lacuna. Lançada na última quinta-feira 2, a série audiovisual reúne apresentações musicais gravadas em estúdio e entrevistas com artistas da cena independente, registrando diferentes sonoridades, processos criativos e trajetórias que ajudam a contar a história da produção musical negra no estado.

Disponível gratuitamente no YouTube, a primeira temporada é composta por três episódios lançados semanalmente. Cada um combina uma session intimista com uma conversa em que os convidados compartilham inspirações, desafios e experiências na construção de suas carreiras. A proposta é fazer do projeto mais do que uma vitrine de performances: criar um registro da diversidade artística que atravessa a música preta potiguar.

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‘Música Preta Potiguar’ reúne apresentações e entrevistas com artistas - Foto: ERICK ALLAN

Idealizado pelo produtor cultural Diego Andrade, o projeto foi concebido para ampliar a visibilidade da produção musical negra do Rio Grande do Norte e fortalecer sua circulação. Ao reunir artistas de diferentes estilos, a série revela como essa cena transita por linguagens diversas sem perder de vista referências ligadas à ancestralidade, à identidade e às vivências contemporâneas.

A temporada começou com Jennify C., DJ, rapper, produtora musical e performer que vem consolidando seu espaço como um dos principais nomes da nova cena eletrônica potiguar. Misturando rap, música eletrônica e performance, a artista abre a série apresentando uma produção marcada pela experimentação e pela construção de novas estéticas.

Na próxima quinta-feira 9, será lançado o episódio da Sourebel, banda que aproxima as raízes do reggae jamaicano das influências afro-nordestinas. O repertório dialoga com temas ligados à ancestralidade e à consciência social, mostrando como diferentes tradições musicais encontram novos caminhos na cena potiguar.

A primeira temporada será encerrada em 16 de julho com Gracinha, cantora, compositora e multi-instrumentista que transita entre o dream pop, o indie pop e a neo-psicodelia. Sua participação amplia ainda mais o recorte sonoro da série, reforçando a proposta de apresentar a multiplicidade da música preta produzida no estado.

Embora os episódios tenham artistas diferentes, a ideia é construir um panorama coletivo. O projeto reúne nomes de trajetórias distintas para evidenciar que a música negra potiguar não pode ser definida por um único gênero ou estética. Rap, música eletrônica, reggae, pop alternativo e psicodelia convivem na mesma narrativa, revelando uma produção artística plural e em constante transformação.

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Projeto busca ampliar a visibilidade da música negra produzida no RN / Rap, reggae, música eletrônica, indie pop e neo-psicodelia integram projeto – Foto: ERICK ALLAN

A representatividade também se estende aos bastidores. A equipe do Música Preta Potiguar é formada majoritariamente por profissionais negros do audiovisual, da música e da produção cultural. Além de colocar artistas diante das câmeras, o projeto busca ampliar a participação desses profissionais em todas as etapas de criação e realização, fortalecendo uma cadeia produtiva mais diversa e representativa.

O projeto foi realizado por meio do Edital de Fomento ao Audiovisual e Jogos Eletrônicos, na categoria Ações Culturais, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), por meio da Fundação José Augusto, da Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Norte, do Sistema Nacional de Cultura, do Ministério da Cultura e do Governo Federal.

Os episódios são disponibilizados sempre às quintas-feiras, às 12h, no canal Música Preta Potiguar no YouTube. O primeiro, com Jennify C., já está disponível. Os próximos lançamentos acontecem nos dias 9 e 16 de julho, com Sourebel e Gracinha, respectivamente.

A produção executiva é de Diego Andrade. A realização audiovisual é da Nobir Produtora, com roteiro e entrevistas de Erick Allan, produção musical de Wagner D Elia, assistência de produção de Cicely Lígia, técnica de som de Denne Anderson, direção de arte de Judson Andrade, design de Walter Nascimento, apoio de Thiago Oliveira, interpretação em Libras de Uiara Vieira e acessibilidade da Por Sinal Libras.

Ao registrar apresentações, conversas e bastidores, o Música Preta Potiguar também cria um arquivo da cultura contemporânea do Rio Grande do Norte. Em um cenário onde boa parte da produção independente circula de forma fragmentada, a série organiza essas histórias em um mesmo espaço, dando permanência a artistas e sonoridades que seguem renovando a música potiguar.