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Cinema

“Minions e Monstros”aposta no caos e magia

Nova animação mistura humor físico, referências ao cinema clássico e criaturas da literatura fantástica.
Por O Correio de Hoje
03/07/2026 | 17:08

Os Minions retornam às telas em uma aventura que transforma o próprio cinema no centro da narrativa. Em “Minions e Monstros”, dirigido por Pierre Coffin, os personagens amarelos da franquia “Meu Malvado Favorito” desembarcam na Hollywood da década de 1920 para uma história que combina humor físico, referências à história do cinema e criaturas clássicas da literatura fantástica. O resultado é uma animação que expande o universo da série ao brincar com personagens e momentos marcantes da cultura cinematográfica.

A trama começa quando os Minions chegam por acaso a Los Angeles e, durante uma sequência marcada pelo caos, sequestram um trem desgovernado enquanto perseguem um suposto ladrão de banco. Sem perceber que o criminoso faz parte das filmagens de um faroeste, eles provocam uma sucessão de acidentes que termina com parte de uma avenida destruída.

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“Minions e Monstros” transforma Hollywood clássica em palco para nova aventura da franquia - Foto: Reprodução

A abertura estabelece o tom da produção ao recuperar o humor físico que consolidou a identidade dos Minions ao longo das últimas duas décadas. Ao mesmo tempo, utiliza esse cenário para inserir os personagens em encontros improváveis com alguns dos maiores nomes da comédia do cinema mudo.

Durante a confusão, os Minions cruzam o caminho de Charlie Chaplin, Buster Keaton e Harold Lloyd, recriando de forma irreverente algumas das cenas mais conhecidas da história do cinema. A animação faz referência às engrenagens de Tempos Modernos, ao momento em que a fachada da casa desaba sobre Keaton em Marinheiro de Encomenda e à famosa cena do relógio de O Homem Mosca, protagonizada por Lloyd.

Mais do que uma homenagem, essas sequências aproximam o humor dos Minions da tradição inaugurada pelos grandes comediantes do cinema silencioso. A animação coloca os personagens no mesmo universo desses ícones, utilizando o exagero e o humor corporal como principal ferramenta narrativa.

O roteiro também aposta na estrutura de “filme dentro do filme”. Desta vez, os protagonistas passam a ser os Minions Henry, James e Ed, trio que ganha espaço na narrativa ao tentar construir a própria trajetória em Hollywood.

Depois de conquistarem popularidade durante a era do cinema mudo, os personagens enfrentam dificuldades com a chegada dos filmes sonoros. Para recuperar o sucesso, decidem produzir sua própria aventura. A iniciativa, porém, acaba libertando criaturas perigosas aprisionadas em um antigo livro de feitiços.

A produção amplia as referências ao universo cinematográfico e à literatura fantástica. Entre os monstros apresentados está uma versão em miniatura de Cthulhu, criatura criada pelo escritor H.P. Lovecraft. O roteiro também inclui um alienígena robótico que remete ao clássico O Dia em que a Terra Parou, além de desenvolver uma trama paralela envolvendo seu relacionamento com uma jovem ligada ao movimento feminista da época.

O prólogo revisita ainda a origem dos Minions em uma jornada que atravessa diferentes períodos históricos, reunindo gigantes, múmias, feiticeiros e outras figuras fantásticas.

Mesmo reunindo referências que vão do cinema clássico à literatura de horror, passando pela ficção científica, a animação mantém uma narrativa organizada. Em vez de apostar apenas em grandes cenas de ação, Pierre Coffin concentra boa parte do filme em pequenas situações cômicas protagonizadas pelos próprios Minions.

Essa escolha aproxima o longa dos antigos nickelodeons, produções curtas que marcaram o início da indústria cinematográfica norte-americana. A narrativa é construída por uma sucessão de esquetes, priorizando o humor dos personagens e explorando suas características individuais.

Outro aspecto que diferencia “Minions e Monstros” dos filmes anteriores da franquia é o ritmo. Coffin reduz o uso das montagens aceleradas que marcaram produções recentes de “Meu Malvado Favorito”, permitindo que as piadas tenham mais tempo para se desenvolver.

A mudança favorece o protagonismo dos Minions, que passam a conduzir a narrativa com maior autonomia. O humor continua baseado nas confusões provocadas pelos personagens, mas a animação também encontra espaço para explorar suas personalidades, limitações e objetivos, transformando esses elementos na principal força da história.

Com referências ao cinema clássico, monstros da literatura e aventuras ambientadas nos bastidores de Hollywood, “Minions e Monstros” apresenta uma nova abordagem para a franquia ao combinar nostalgia, humor físico e uma sequência contínua de situações cômicas protagonizadas pelos personagens amarelos.