O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva empenhou R$ 520 milhões em comunicação institucional entre janeiro e junho deste ano, mais que o dobro dos R$ 213,5 milhões destinados no mesmo período de 2022, durante a gestão do então presidente Jair Bolsonaro. Os dados são de levantamento da Folha de S.Paulo, com valores corrigidos pela inflação.
Os recursos foram empenhados antes do início das restrições impostas pela legislação eleitoral, que entram em vigor em 4 de julho e suspendem a publicidade institucional, salvo exceções autorizadas pela Justiça Eleitoral. A análise considera a ação orçamentária de “comunicação institucional”, utilizada pela Secretaria de Comunicação Social (Secom) para campanhas de divulgação de programas do governo.

Entre as principais campanhas estão uma ação institucional estimada em R$ 150 milhões, com o slogan “conectando entregas e futuro”, outra de R$ 80 milhões sobre o fim da escala 6×1 e uma campanha de R$ 45 milhões para divulgar a nova edição do Desenrola Brasil. Além disso, cerca de R$ 7,6 milhões foram empenhados para pesquisas de opinião.
Em nota, a Secom afirmou que atua dentro dos limites previstos na legislação e disse que comparações entre anos diferentes precisam considerar o contexto de cada período, as políticas públicas executadas e o planejamento anual de comunicação.
A reportagem também destaca que, em 2025, os gastos federais com publicidade institucional e campanhas de utilidade pública somaram cerca de R$ 1,6 bilhão, o maior valor desde 2017. Neste mandato, o governo ampliou a participação da publicidade digital, elevando a fatia destinada à internet de cerca de 20% para mais de 30% do total.
O levantamento ocorre em meio a questionamentos judiciais. Na semana passada, o PL acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo a suspensão das campanhas publicitárias do governo, sob a alegação de que o teto de gastos do primeiro semestre teria sido ultrapassado. Antes disso, a Justiça Federal no Distrito Federal determinou a suspensão de anúncios da campanha sobre o fim da escala 6×1. A Secom informou que apresentará os esclarecimentos técnicos e jurídicos necessários.