A senadora Zenaide Maia (PSD) confirmou nesta segunda-feira 29 que a chapa liderada pelo pré-candidato ao Governo do Estado Allyson Bezerra (União) terá, além dela, um segundo candidato ao Senado nas eleições de 2026. A declaração representa uma mudança na estratégia adotada pelo grupo político — que, até então, demonstrava resistência à ideia de dividir o palanque na disputa pelas duas vagas ao Senado.
Durante uma agenda em São Gonçalo do Amarante, Zenaide afirmou que a definição da apresentação de um segundo nome já está tomada e que resta apenas escolher quem ocupará a vaga na chapa.

“Vai ter. Isso está sendo definido. Ainda não sei o nome, mas vai ter alguém para fazer a dobradinha com a senadora Zenaide. Eu acho que, no máximo até quarta ou quinta-feira, deve estar sendo resolvido”, declarou.
Segundo a senadora, o escolhido deverá necessariamente integrar um dos partidos que já compõem a aliança, uma vez que o prazo para filiações partidárias já foi encerrado. Ela afirmou que o grupo tem analisado pesquisas e o potencial eleitoral dos possíveis nomes antes da definição.
“Todos estão sendo buscados. A essas alturas, tem que ter alguém que já faça parte do grupo da gente. A gente faz pesquisas e observa”, disse.
A aliança liderada por Allyson Bezerra para a disputa eleitoral de 2026 tem, atualmente, oito partidos: União Brasil, PP, MDB, PSD, Republicanos, Solidariedade, PRD e Avante.
Questionada sobre eventual preferência, Zenaide afirmou que pretende manter o processo de decisão de forma coletiva.
“Eu estou deixando todos ouvirem, porque sempre foi assim. Isso é assim a nível federal, isso é assim a nível estadual e municipal. Eu sempre tenho esse olhar diferenciado. A gente trabalha olhando quem seria, quem se habilitaria e quem ajudaria a fortalecer essa candidatura”, acrescentou.
A nova posição de Zenaide contrasta com o que a senadora vinha defendendo nas últimas semanas. No início de maio, Zenaide afirmava não enxergar vantagem, naquele momento, em dividir a chapa ao Senado.
“Hoje eu acho que não sei se valeria a pena ter um segundo candidato”, declarou, na ocasião. Ela também ressaltava que a decisão dependeria do entendimento entre os partidos aliados.
“Isso é uma análise que não pode ser só de uma pessoa. Eu sou muito democrática nisso, eu ouço, eu vejo. Não quero, apesar de ser presidente do meu partido, mas os outros também têm presidente. Então, eles estão sentados, analisando, e a gente vendo o que vai ser melhor.”
Na mesma época, Allyson Bezerra também minimizava a necessidade de preencher as duas vagas ao Senado na chapa. Em entrevista ao programa Especial Eleições 2026, do Agora RN, o pré-candidato afirmou que o grupo poderia optar por lançar apenas Zenaide.
“Pode ser que a gente só saia com um nome. Sempre pontuei isso, porque eu não acho dificuldade de defender isso. Mas pode ser também que a gente saia com dois nomes.”
A estratégia começou a mudar nas semanas seguintes, especialmente com a consolidação de novas candidaturas ao Senado no campo de centro-esquerda. O principal fator apontado nos bastidores é o crescimento do ex-deputado federal Rafael Motta (PDT), que passou a disputar diretamente o eleitorado progressista com Zenaide.
Levantamento do Instituto Exatus, contratado pelo Grupo Agora RN e realizado entre 26 e 29 de maio, mostra que Zenaide aparece com 34,15% das intenções de voto na soma do primeiro e do segundo votos, mantendo a segunda colocação na disputa pelo Senado. Rafael Motta, por sua vez, registra 20,25%, consolidando-se na terceira posição. Na comparação com a pesquisa anterior do instituto, Zenaide oscilou positivamente de 33,8% para 34,15%, enquanto Rafael avançou de 18,7% para 20,25%, reduzindo a distância entre ambos. O líder permanece sendo o senador Styvenson Valentim (Podemos), com 45,72%.
O levantamento ouviu 1.500 eleitores, tem margem de erro de 2,53 pontos percentuais, nível de confiança de 95% e está registrado na Justiça Eleitoral sob o número RN-01045/2026.
O fortalecimento da candidatura de Rafael coincidiu com uma reconfiguração da chapa liderada por Allyson. No início de maio, o ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves (União) desistiu da disputa pelo Senado. À época, ele informou que a decisão havia sido tomada em entendimento com Allyson, após orientação da direção nacional do União Brasil, que priorizou a aplicação dos recursos do fundo eleitoral nas candidaturas aos governos estaduais e à Câmara dos Deputados, deixando de financiar campanhas ao Senado no Rio Grande do Norte.
Naquele momento, a saída de Carlos Eduardo reforçou a avaliação de que a chapa de Allyson seguiria apenas com Zenaide na disputa ao Senado. O próprio ex-prefeito de Mossoró negava que houvesse veto interno ao nome do ex-prefeito de Natal e ressaltava sua importância política.
“Ele é, do ponto de vista eleitoral, um quadro importante. Principalmente aqui na capital. Ele já foi prefeito quatro vezes. Tem uma história com essa cidade. Então, é um quadro importante, relevante”, afirmou.
Allyson também dizia que pretendia contar com Carlos Eduardo no projeto independentemente de uma candidatura majoritária.
“Um time não vive só de um ou de dois jogadores. Ele vive do conjunto. E é bom a gente ter bons jogadores dentro de um time, fazendo associação com o futebol, para a gente poder contar. Carlos Eduardo é um nome que a gente conta, é um nome que está posto, está afiliado ao nosso União Brasil”, declarou.
Pouco mais de um mês depois, Carlos Eduardo oficializou apoio à pré-candidatura de Allyson ao Governo do Estado e confirmou que disputará uma vaga na Assembleia Legislativa. A decisão retirou definitivamente seu nome da discussão sobre a composição da chapa ao Senado e abriu espaço para que a aliança passasse a buscar outro perfil para acompanhar Zenaide.