O governo brasileiro retirou da Venezuela 13 brasileiros que estavam no país durante o maior terremoto registrado em território venezuelano em mais de um século. O resgate foi realizado pela Força Aérea Brasileira (FAB), que aproveitou o voo de retorno de uma aeronave KC-390 Millennium utilizada para transportar ajuda humanitária à região atingida. Os passageiros haviam procurado a Embaixada do Brasil em Caracas em caráter emergencial, diante do fechamento do aeroporto comercial da capital venezuelana.
A missão brasileira levou uma estrutura completa de hospital de campanha da Marinha do Brasil para reforçar o atendimento às vítimas do desastre. A aeronave também transportou 100 purificadores de água equipados com painéis solares, cada um com capacidade para filtrar até 5 mil litros de água por dia, destinados a abastecer comunidades afetadas pelo colapso da infraestrutura de saneamento e abastecimento.

O terremoto, formado por dois tremores principais de magnitude 7,2 e 7,5, seguido por um terceiro abalo de magnitude 4,7, provocou a maior tragédia sísmica da Venezuela desde 1900. O balanço oficial divulgado pelo governo aponta 1.450 mortos e 3.150 feridos. O Ministério das Relações Exteriores brasileiro confirmou anteriormente a morte de dois cidadãos brasileiros — um homem e uma mulher — durante o desastre.
Enquanto o governo venezuelano evita divulgar o número de desaparecidos, estimativas das Nações Unidas indicam que mais de 50 mil pessoas continuam sem paradeiro conhecido. Segundo o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, 189 edifícios desabaram completamente e outros 774 imóveis sofreram diferentes níveis de danos estruturais.
As perdas econômicas também aumentam. Avaliação preliminar do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) estima prejuízos materiais de aproximadamente US$ 6,7 bilhões, equivalentes a cerca de 6% do Produto Interno Bruto (PIB) venezuelano. O cálculo considera danos a edificações e infraestrutura com base em imagens de satélite, modelos sísmicos e dados populacionais, mas ainda não incorpora os efeitos econômicos indiretos provocados pela paralisação de atividades.
As autoridades venezuelanas decidiram restringir o acesso à cidade de La Guaira, apontada como o epicentro da destruição. A entrada no município passou a depender de autorização oficial para evitar congestionamentos e facilitar o trabalho das equipes de resgate, que seguem atuando em meio aos escombros mesmo após o encerramento da janela considerada mais crítica para localização de sobreviventes.
Apesar da redução das chances de encontrar pessoas com vida, operações de busca continuam mobilizando equipes internacionais. No domingo, 28, socorristas dos Estados Unidos e da França conseguiram retirar um homem e seu filho dos escombros após quatro dias soterrados, em uma operação acompanhada por moradores da região. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), mais de 2,2 mil profissionais atuam na Venezuela prestando assistência às vítimas do terremoto.