O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) empenhou R$ 520 milhões em publicidade institucional no primeiro semestre de 2026, valor superior ao dobro dos R$ 213,5 milhões destinados pelo governo de Jair Bolsonaro (PL) no mesmo período de 2022, ano da última eleição presidencial.
Os dados fazem parte de um levantamento publicado pela Folha de S.Paulo e consideram os valores empenhados na ação orçamentária destinada principalmente às campanhas publicitárias da Secretaria de Comunicação Social (Secom), atualizados pela inflação.

Em anos eleitorais, os gastos com publicidade oficial costumam se concentrar nos primeiros seis meses, já que a legislação determina a suspensão da propaganda institucional a partir do período de defeso eleitoral, que neste ano começa em 4 de julho. Apenas campanhas consideradas de grave e urgente necessidade pública podem continuar sendo veiculadas.
Em nota, a Secom informou que todas as despesas obedecem aos limites estabelecidos pela legislação e afirmou que comparações entre diferentes governos devem considerar as particularidades de cada período, além das políticas públicas e das campanhas de utilidade pública realizadas.
Entre as campanhas de maior valor está a intitulada “Conectando entregas e futuro”, com custo estimado de R$ 150 milhões. Outra ação de destaque foi a campanha sobre o fim da escala 6×1, estimada em R$ 80 milhões, além de R$ 45 milhões destinados à divulgação da nova edição do programa Desenrola Brasil.
Segundo a reportagem, o governo também reservou cerca de R$ 7,6 milhões para pesquisas de opinião relacionadas à comunicação institucional.
Na última semana, o PL acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo a suspensão das campanhas publicitárias do governo, alegando que o Executivo teria ultrapassado o limite legal de gastos com publicidade no primeiro semestre do ano eleitoral. O caso está sob relatoria do ministro André Mendonça.
Além disso, uma decisão da Justiça Federal determinou a suspensão da campanha nas redes sociais sobre o fim da escala 6×1, atendendo a uma ação apresentada pelo deputado Carlos Jordy (PL-RJ). O governo informou que apresentará os esclarecimentos técnicos e jurídicos necessários no processo.