As empresas privadas ampliaram sua participação no mercado de trabalho formal do Rio Grande do Norte em 2024, enquanto a administração pública reduziu o número de empregados, mas permaneceu como o segmento de maior remuneração média. Dados das Estatísticas do Cadastro Central de Empresas (Cempre) 2024, divulgadas nesta quinta-feira 26 pelo IBGE, mostram que o Estado encerrou o ano com 675.203 trabalhadores assalariados, além de 136.308 sócios e proprietários distribuídos em 126.558 unidades locais dos setores público, privado e do terceiro setor.
As entidades empresariais responderam por 460.096 trabalhadores assalariados, equivalente a 68,1% do total, após crescimento de 6,2% em relação a 2023. Já a administração pública empregava 189.017 pessoas, ou 28% do contingente de trabalhadores formais, registrando retração de 5,4% frente ao ano anterior. As entidades sem fins lucrativos reuniam 26.090 empregados, alta de 3,5%, representando 3,9% do total.

O levantamento também mostra que as empresas privadas predominam em número de estabelecimentos. Das 126.558 unidades locais existentes no estado, 86,4% pertenciam a entidades empresariais, enquanto as entidades sem fins lucrativos representavam 12,1% e a administração pública, apenas 1,4%.
Embora empregue menos trabalhadores que a iniciativa privada, o setor público continua oferecendo a maior remuneração média. Em 2024, a administração pública pagou salário médio mensal de R$ 5.115,66, valor aproximadamente duas vezes superior ao observado nos demais segmentos e o maior entre os estados do Nordeste.
No conjunto da economia potiguar, salários e outras remunerações pagos pelas unidades locais alcançaram R$ 28,5 bilhões em 2024, crescimento de 5,4% em comparação com o ano anterior, refletindo tanto a expansão do emprego formal quanto o aumento da massa salarial.
Entre as atividades econômicas, o comércio manteve a liderança em número de estabelecimentos. O segmento de comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas contabilizou 41.028 unidades locais, equivalentes a 32,4% do total existente no Estado. Em seguida aparecem outras atividades de serviços, que cresceram 20% e chegaram a 11.757 unidades, e saúde humana e serviços sociais, com expansão de 15,4% e 9.277 estabelecimentos.
A atividade de informação e comunicação também apresentou crescimento relevante, de 13,2%, alcançando 2.951 unidades locais. Em sentido contrário, educação foi a única seção econômica a registrar retração em 2024, com queda de 10,4%, reduzindo o número de estabelecimentos para 4.920.
No recorte por remuneração média, o segmento de eletricidade e gás liderou o ranking estadual, pagando em média R$ 7.451,88 por mês, apesar da redução de 1,3% em relação ao ano anterior. O setor reunia 762 unidades locais e empregava 1.559 trabalhadores.
As indústrias extrativas ocuparam a segunda posição entre as maiores remunerações, com salário médio de R$ 5.706,54, alta de 9,4% frente a 2023. O Estado possuía 676 empresas do segmento, responsáveis por 9.879 empregos formais. Na sequência aparece a educação, com remuneração média de R$ 5.108,92, embora tenha registrado redução de 2,1% no período e concentrasse 36.667 trabalhadores distribuídos em 4.920 unidades locais.
Na outra ponta, artes, cultura, esporte e recreação apresentou o menor salário médio do estado, de R$ 1.697,02. A atividade reunia 2.461 unidades locais e empregava 3.345 trabalhadores em 2024.
Os dados do IBGE indicam que o mercado de trabalho formal do Rio Grande do Norte manteve trajetória de expansão no setor empresarial ao longo de 2024, enquanto a administração pública preservou a liderança em remuneração, evidenciando diferenças estruturais entre os segmentos que compõem a economia potiguar.