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Política

Nikolas Ferreira e vereador do PT trocam críticas após ato LGBTQIA+ na Câmara de BH

Deputado do PL comparou cerimônia do Dia do Orgulho LGBTQIA+ a homenagem feita ao BOPE em 2021; vereador Pedro Patrus afirmou que parlamentares presentes preferem “homenagear o amor”
Redação
24/06/2026 | 10:39

Uma homenagem ao Dia do Orgulho LGBTQIAPN+ realizada na Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) provocou uma troca de críticas entre o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o vereador Pedro Patrus (PT). A solenidade ocorreu na segunda-feira (22) e contou com a participação das vereadoras Iza Lourença (Psol) e Juhlia Santos (Psol).

Nas redes sociais, Nikolas questionou a realização do evento e fez referência a uma homenagem que concedeu ao Batalhão de Operações Especiais (BOPE) quando era vereador da capital mineira. “Quando eu era vereador, nesse mesmo local, eu dei honra ao mérito ao BOPE, por ter abatido 26 criminosos em Varginha e a imprensa e esquerda fizeram um escândalo. Hoje, acontece isso na Câmara de BH. Seu dinheiro sendo bem gasto”, escreveu.

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O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) criticou uma homenagem ao Dia do Orgulho LGBTQIAPN+ realizada na Câmara de Belo Horizonte - Vídeo : Reprodução/ Metrópoles

A homenagem ao Dia do Orgulho LGBTQIAPN+ foi proposta por Pedro Patrus. Durante o evento, o vereador defendeu a realização da cerimônia e afirmou que o objetivo é dar visibilidade à população LGBTQIAPN+ e reafirmar direitos sociais.

Em resposta à publicação de Nikolas, Patrus afirmou que o deputado “acha bonito exaltar violência e chacina” e declarou que os parlamentares presentes à solenidade preferem “homenagear o amor e celebrar a vida”.

“Nós já fizemos dezenas de celebrações como essas no mês do Orgulho na Câmara. É um momento de promover visibilidade à luta de uma população que é morta todos os dias pelo preconceito, pelo ódio e pela falta de oportunidades. É óbvio que Nikolas seria contra. Afinal, ele acha bonito exaltar violência e chacina, o que tem muito a ver com a turma dele que homenageia milicianos”, afirmou o vereador.

Na nota, Patrus também declarou: “Nós preferimos continuar homenageando o amor e celebrando a vida, sobretudo em uma Câmara composta por uma maioria que claramente persegue a população LGBTQIAPN+. É preciso mostrar para esses parlamentares que o mundo não gira em torno de seus moralismos e reafirmar que direitos sociais são inegociáveis”.

A manifestação de Nikolas faz referência à operação realizada em outubro de 2021 em Varginha, no Sul de Minas Gerais. Na ocasião, uma ação conjunta do BOPE, da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) terminou com a morte de 26 pessoas apontadas pelas autoridades como integrantes de uma organização criminosa ligada ao chamado “novo cangaço”.

O caso passou a ser investigado pela Polícia Federal. Após dois anos de apurações, a PF apontou inconsistências nas versões apresentadas pelos agentes envolvidos na operação. O relatório da investigação sustenta que não houve resistência por parte dos suspeitos e que os policiais teriam simulado um confronto armado.

Segundo o documento, os investigados estariam desarmados no momento da ação e parte deles teria sido atingida por disparos nas costas. O relatório encaminhado à Justiça Federal pede o indiciamento de 39 policiais por crimes como tortura, homicídio qualificado e fraude processual.

Até o momento, não há decisão judicial definitiva sobre o caso.