O União Brasil foi o único partido político a realizar inspeção no código-fonte das urnas eletrônicas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nos últimos oito meses. A fiscalização foi feita por representantes da legenda na semana passada, em atividade acompanhada por técnicos da Corte.
O procedimento está disponível para partidos políticos e órgãos públicos desde outubro de 2025, quando o TSE comunicou oficialmente todas as legendas sobre a possibilidade de acesso ao sistema. A inspeção poderá ser realizada até poucos dias antes da eleição, período em que os programas utilizados nas urnas passam pelo processo de lacração.

O código-fonte reúne toda a programação responsável pelo funcionamento das urnas eletrônicas, permitindo que entidades fiscalizadoras analisem a estrutura e o funcionamento do sistema de votação antes da realização do pleito.
A abertura desse mecanismo de fiscalização passou a integrar a rotina da Justiça Eleitoral em 2021, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), após questionamentos feitos por ele sobre a confiabilidade do sistema eletrônico de votação, sem apresentação de provas.
Em 2023, o Supremo Tribunal Federal (STF) tornou Bolsonaro inelegível até 2030 por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação. Entre os fatos considerados na decisão esteve a reunião realizada com embaixadores no Palácio da Alvorada, ocasião em que o então presidente apresentou críticas ao sistema eleitoral sem apresentar evidências.
Antes das eleições municipais de 2024, o Partido Liberal chegou a solicitar participação na inspeção do código-fonte. Na ocasião, representantes da legenda compareceram ao Tribunal Superior Eleitoral, participaram de uma apresentação técnica sobre o funcionamento do sistema, mas desistiram de prosseguir com a análise detalhada da programação das urnas.
Atualmente, o Tribunal Superior Eleitoral é presidido pelo ministro Kassio Nunes Marques, tendo como vice-presidente o ministro André Mendonça. Ambos foram indicados ao Supremo Tribunal Federal pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Enquanto isso, o União Brasil — que passou a deter a maior fatia dos fundos partidário e eleitoral após a federação firmada com o Progressistas no início deste ano — permanece como a única legenda que efetivamente utilizou o mecanismo de fiscalização disponibilizado pela Justiça Eleitoral neste ciclo eleitoral.