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Polícia

PF faz operação contra Jaques Wagner e aponta elo do senador com Master

Investigação aponta supostas vantagens indevidas recebidas pelo líder do governo no Senado no caso Master, incluindo apartamento, repasses financeiros, uso de aeronaves, ingressos para shows e pagamentos ligados à família
Por O Correio de Hoje
18/06/2026 | 14:52

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira 18 uma nova fase da Operação Compliance Zero e cumpriu mandados de busca e apreensão contra o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do Governo Lula no Senado, no âmbito das investigações sobre um suposto esquema bilionário de fraudes e corrupção ligado ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro. A apuração aponta que o parlamentar teria recebido uma série de vantagens econômicas indevidas, incluindo um apartamento em Salvador (BA), pagamentos indiretos a familiares, uso de aeronaves particulares e ingressos para shows internacionais.

Os mandados, autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), foram cumpridos na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal. Houve buscas em imóveis ligados ao senador em Salvador e também no hotel onde ele reside em Brasília. Em um endereço relacionado a Jaques Wagner na capital federal, a Polícia Federal apreendeu US$ 49 mil em espécie.

Jaques Wagner foto Geraldo Magela Senado
Senador baiano teria recebido R$ 3,5 milhões em vantagens indevidas do Master - Foto: Geraldo Magela / Senado

As investigações tiveram origem na análise de material apreendido com Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, que voltou a ser alvo de buscas nesta quinta-feira. Segundo a PF, os elementos reunidos indicam uma relação de proximidade entre Lima e o senador, que teria sido beneficiado por diversas vantagens oferecidas pelo empresário.

Entre as suspeitas está a aquisição de um apartamento em Salvador, avaliado em aproximadamente R$ 2,5 milhões, além de pagamentos feitos à empresa da esposa do enteado do senador, Bonnie Bonilha, por meio de contratos de consultoria. Policiais federais também cumpriram mandado em endereço de Eduardo Sodré Martins, enteado de Jaques Wagner e marido de Bonnie. A defesa deles não foi localizada.

A Polícia Federal também investiga a suposta concessão de benefícios pessoais ao parlamentar. De acordo com o relatório enviado ao STF, Jaques Wagner utilizava gratuitamente aeronaves vinculadas a Augusto Lima para deslocamentos particulares. Um dos episódios citados ocorreu em outubro de 2023, quando o empresário colocou um avião à disposição do senador e de familiares para uma viagem entre Salvador e a Ilha da Paixão, propriedade atribuída a Lima.

Segundo a investigação, mensagens trocadas entre os dois mostram que o empresário encaminhou ao senador o prefixo da aeronave e o horário do voo. Em abril de 2024, Wagner também teria solicitado auxílio para um deslocamento ao Rio de Janeiro, ocasião em que Augusto Lima forneceu ao parlamentar o contato de um piloto identificado como “Breno Copiloto Banco” e, em seguida, repassou ao piloto o telefone do senador.

Dinheiro
Dinheiro apreendido pela PF em um dos endereços – Foto: pf / reprodução

Outro ponto destacado pela PF envolve a compra de ingressos para um show de uma cantora internacional em Los Angeles, nos Estados Unidos, em junho de 2023. Conforme a investigação, Augusto Lima orientou sua secretária a providenciar os bilhetes para familiares de Jaques Wagner, mas a aquisição foi custeada pela gestora de investimentos Reag, empresa apontada pelos investigadores como integrante do esquema de fraudes relacionado ao Banco Master.

Os ingressos custaram R$ 63.339 em valores da época. A PF afirma ainda que, posteriormente, o senador pediu o aumento da quantidade de entradas para cinco pessoas, recebendo de Augusto Lima a resposta: “Pronto amigo. Seguem os outros dois. Abs.” Em novembro de 2023, segundo a decisão judicial, Wagner voltou a questionar o empresário sobre “os ingressos de sábado”.

A investigação também aponta que Jaques Wagner teria recebido cerca de R$ 3,5 milhões em vantagens indevidas em troca de suposta atuação política favorável aos interesses do grupo investigado no Congresso Nacional.

Até a manhã desta quinta-feira, o senador ainda não havia se manifestado sobre a operação. Os advogados de Augusto Lima afirmaram, em nota, que “as diligências realizadas pela Polícia Federal nesta data eram desnecessárias, uma vez que Augusto Lima está há seis meses à disposição das autoridades para esclarecer os fatos em apuração”.

A defesa acrescentou que “as medidas contribuirão para demonstrar que os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos” e sustentou que o empresário “sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública”.

PT sai em defesa de senador

Após a operação, dirigentes do PT e integrantes do governo manifestaram apoio ao líder governista. O presidente nacional do partido, Edinho Silva, afirmou que Jaques Wagner é “depositário de toda a nossa confiança” e declarou que “apoiamos todas as apurações envolvendo o Banco Master, a sociedade tem o direito de saber a verdade, os crimes cometidos precisam ser apurados e os responsáveis penalizados”. Segundo ele, o partido confia que o senador “esclarecerá todos os fatos, comprovando a sua inocência”.

O líder do governo na Câmara, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), afirmou que aguarda os esclarecimentos do parlamentar e declarou confiar em sua trajetória pública. “Não tenho ainda maiores informações nem conheço o que Wagner tem a dizer, por isso aguardo com tranquilidade pois sei de sua seriedade e conduta pública. Presidente Lula já repetiu várias vezes que no nosso governo a PF tem independência e trabalha. Quem tiver que dar explicações que faça e prove sua inocência”, disse.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, também comentou a operação e afirmou estar tranquilo quanto às explicações do senador. “Estou muito tranquilo com isso e acho que o senador Jaques Wagner vai prestar os esclarecimentos devidos para a Justiça”, declarou. Ele ainda associou a origem do caso à expansão do Banco Master durante a gestão de Roberto Campos Neto no Banco Central, afirmando que o crescimento da instituição ocorreu entre 2019 e 2024.