A Polícia Militar do Rio Grande do Norte apreendeu um fuzil calibre 5.56 e uma pistola na comunidade de Maísa, região de divisa entre o Rio Grande do Norte e o Ceará, durante as diligências relacionadas ao atentado contra o vereador de Mossoró Cabo Deyvison (PL). A informação foi divulgada pela corporação nesta quinta-feira 18.
Segundo a PM, a apreensão ocorreu após o compartilhamento de informações estratégicas pela Polícia Civil. Com base nos dados obtidos, equipes operacionais da Polícia Militar se deslocaram até o local indicado e localizaram o armamento. De acordo com a corporação, o material apreendido será encaminhado à delegacia responsável para os procedimentos de perícia técnica. As diligências continuam na região para o esclarecimento completo dos fatos. Segundo a PM, as diligências continuam em andamento na região.

A apreensão representa mais um desdobramento das investigações sobre o atentado ocorrido na noite de segunda-feira 15, em Mossoró. Na ocasião, Cabo Deyvison realizava uma transmissão ao vivo em frente à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Alto de São Manoel quando ocupantes de um veículo efetuaram disparos em sua direção.

Durante o ataque, o assessor do vereador, Diego de Oliveira Morais, foi atingido. Ele chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos. O parlamentar também foi baleado e recebeu atendimento médico. As investigações avançaram após a prisão de dois homens na divisa entre o Rio Grande do Norte e o Ceará. Segundo nota divulgada pela Polícia Militar do Rio Grande do Norte, ao todo seis suspeitos já foram detidos.
Os dois primeiros suspeitos, presos no Ceará, confessaram participação direta no atentado e no homicídio. A prisão ocorreu após uma denúncia recebida pelo telefone 190 informando que dois homens em atitude suspeita seguiam em um veículo em direção à divisa com o Ceará. A PMRN informou que realizou contato imediato com a Polícia Militar do Estado do Ceará para viabilizar o bloqueio e a interceptação do automóvel.
As investigações são conduzidas pela Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Mossoró. Durante coletiva de imprensa, o diretor da unidade, delegado Márcio Lemos, afirmou que todas as hipóteses continuam sendo analisadas.
“A investigação tem que ser tratada com seriedade. Nenhuma hipótese pode ser descartada. Todas serão apuradas. Hoje, a Divisão de Homicídios possui uma estrutura qualificada na região. Combatemos esse tipo de crime com estruturação. Somos um dos poucos estados que levaram a especialização da investigação de homicídios para todo o interior”, declarou.
Segundo as investigações, os criminosos utilizaram inicialmente um Toyota Corolla durante a ação. Após os disparos, o veículo foi abandonado e os suspeitos fugiram por uma área de mata em Mossoró. Equipes policiais realizaram cercos e buscas com apoio de drones equipados com câmeras termais, mas os envolvidos não foram localizados naquele momento.
Posteriormente, a polícia identificou a utilização de um segundo veículo na fuga. O motorista foi localizado e conduzido à delegacia para prestar esclarecimentos após informar que transportou suspeitos para outro ponto da cidade.
Estado de saúde
Após o atentado, Cabo Deyvison foi socorrido inicialmente para a UPA do Alto de São Manoel e, em seguida, encaminhado ao Hospital Regional da Polícia Militar, em Mossoró. O vereador sofreu dois ferimentos por arma de fogo. Um dos disparos atravessou o corpo e outro permaneceu alojado. Ele também sofreu uma fratura na tíbia e seria avaliado por uma equipe de ortopedistas para definição do tratamento e da necessidade de procedimento cirúrgico.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, o parlamentar afirmou que não pretende interromper sua atuação política e relacionou o atentado às denúncias que vinha realizando. “Coincidência ou não, eu fiz uma grave denúncia e postei nas redes sociais. Nada está descartado: envolvimento político, facção, tudo será investigado”, declarou.
Antes do atentado, Cabo Deyvison havia publicado vídeos relatando ameaças atribuídas a integrantes de facções criminosas e afirmando que familiares também estariam sendo intimidados.
Apesar das declarações do vereador, a Polícia Civil informou que ainda não há elementos suficientes para apontar a motivação do crime. As autoridades afirmam que todas as linhas investigativas permanecem abertas e que o foco continua sendo a identificação de todos os envolvidos, a definição da autoria e a apuração de possíveis mandantes.