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Copa do Mundo 2026

Filho de Zidane escolhe defender Argélia

Filho de Zinedine Zidane defenderá a seleção argelina na Copa do Mundo de 2026; decisão reflete o avanço das múltiplas nacionalidades e dos laços de pertencimento no esporte
Por O Correio de Hoje
18/06/2026 | 14:15

A presença de Luca Zidane na seleção da Argélia durante a Copa do Mundo de 2026 representa mais do que uma decisão esportiva. A escolha do goleiro, filho de um dos maiores ídolos da história do futebol francês, evidencia como as questões de identidade, pertencimento e nacionalidade têm ganhado espaço crescente no futebol internacional, especialmente em um cenário marcado por migrações e múltiplas cidadanias.

Nascido em Marselha, no sul da França, Luca Zidane possuía, em tese, o caminho aberto para seguir os passos do pai, o ex-meia Zinedine Zidane, campeão mundial em 1998 e um dos maiores nomes da história da seleção francesa. No entanto, o goleiro optou por defender a Argélia, país de origem de sua família paterna e ao qual tem direito de cidadania por descendência.

Zidani e filho Copia
Luca Zidane troca tradição familiar da seleção francesa pela equipe argelina - Foto: Reprodução

A decisão é amparada pelas regras da Fifa, que permitem que atletas com múltiplas nacionalidades escolham qual seleção representar, desde que não tenham disputado partidas oficiais pela equipe principal de outro país. Nos últimos anos, a entidade flexibilizou ainda mais os critérios de elegibilidade, refletindo a crescente complexidade das identidades nacionais no esporte globalizado.

No caso de Luca, a ligação com a Argélia sempre esteve presente dentro de casa. Seu avô paterno nasceu no país norte-africano antes de emigrar para a França, e a família manteve laços culturais com suas origens ao longo das décadas. Segundo o goleiro, a escolha foi resultado de uma reflexão pessoal, mas contou com o apoio de seus familiares.

“É uma honra jogar pela Argélia. A decisão final foi minha, mas conversei com minha família, meus pais, meus irmãos, meu avô. Meu pai ficou feliz, ele sabia que era algo que eu queria fazer. Poder jogar uma Copa do Mundo é o sonho de qualquer criança”, afirmou o atleta.

A decisão desperta inevitavelmente comparações com a trajetória de seu pai. Embora também fosse elegível para representar a Argélia, Zidane escolheu vestir a camisa da França, país onde nasceu e construiu toda a sua carreira esportiva. Filho de imigrantes argelinos, ele se tornou um dos maiores símbolos da integração multicultural francesa, especialmente após liderar a conquista da Copa do Mundo de 1998.

Ao longo da carreira, Zidane nunca escondeu o orgulho de suas raízes familiares. Em diversas entrevistas, destacou a importância da cultura argelina em sua formação pessoal e manteve uma relação próxima com o país de origem de seus pais. Ainda assim, sua trajetória esportiva esteve integralmente ligada à França, seleção pela qual disputou três Copas do Mundo e conquistou os maiores títulos de sua carreira.

A escolha de Luca ocorre em um contexto cada vez mais comum no futebol internacional. Seleções africanas, asiáticas e de países emergentes têm ampliado sua competitividade ao atrair jogadores nascidos na Europa, mas com vínculos familiares em outras nações. A própria Argélia construiu parte de sua força recente com atletas formados em centros de treinamento franceses, mas que optaram por representar o país de seus ancestrais.

Casos semelhantes podem ser observados em diversas seleções. Jogadores com dupla nacionalidade frequentemente enfrentam decisões complexas que envolvem oportunidades esportivas, laços familiares, identidade cultural e perspectivas de carreira. Em muitos casos, a escolha vai além de critérios técnicos e passa a refletir questões emocionais e de pertencimento.

Para a Argélia, a presença de Luca Zidane tem valor simbólico e esportivo. Além de reforçar o elenco em uma competição de alto nível, sua convocação projeta internacionalmente uma seleção que busca consolidar seu espaço entre as principais forças do futebol africano.