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Ucrânia

Ataque russo amplia pressão do G7

Ataques deixaram ao menos 11 mortos, atingiram Kiev, Kharkiv e Kherson e provocaram danos à histórica Catedral da Dormição, patrimônio reconhecido pela Unesco
Por O Correio de Hoje
17/06/2026 | 14:01

A Rússia lançou uma das mais intensas ofensivas aéreas contra a Ucrânia desde o início do ano, ampliando a pressão sobre Kiev às vésperas da cúpula do G7 e reacendendo preocupações internacionais sobre a escalada do conflito que já dura mais de quatro anos.

Segundo a Força Aérea da Ucrânia, Moscou disparou durante a noite de domingo 70 mísseis e 611 drones contra diferentes regiões do país. A operação teve como principal alvo a capital, Kiev, mas também atingiu áreas estratégicas no nordeste e no sul do território ucraniano.

Ucrânia presidente Copia
Presidente Zelensky visita igreja milenar destruída em ataque russo - Foto: Reprodução

As autoridades locais informaram que ao menos 11 pessoas morreram nos ataques. Em Kiev, cinco vítimas foram registradas e outras 34 pessoas ficaram feridas. Na cidade de Kharkiv, importante centro urbano próximo à fronteira com a Rússia, cinco socorristas morreram durante operações de combate a incêndios provocados pelos bombardeios. Outras nove pessoas ficaram feridas. Em Kherson, no sul do país, uma pessoa também perdeu a vida.

Apesar da intensidade da ofensiva, a Ucrânia afirma ter conseguido neutralizar grande parte dos projéteis lançados. De acordo com o balanço oficial, os sistemas de defesa aérea interceptaram 50 dos 70 mísseis e 582 dos 611 drones utilizados pela Rússia.

Relatos de moradores e jornalistas em Kiev descrevem uma madrugada marcada por sirenes, explosões e corridas para abrigos subterrâneos. Fragmentos de drones e mísseis interceptados atingiram diferentes áreas da cidade, provocando incêndios e danos estruturais.

Além das perdas humanas, os ataques tiveram impacto simbólico significativo. Um incêndio atingiu a histórica Catedral da Dormição, localizada no complexo do Mosteiro das Cavernas de Kiev, um dos mais importantes centros religiosos da tradição ortodoxa eslava.

O conjunto monástico, fundado no século XI, é reconhecido como Patrimônio Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e possui relevância histórica tanto para ucranianos quanto para russos.

A Unesco condenou os danos provocados ao monumento e destacou que bens culturais protegidos pelo direito internacional não devem ser alvos de ações militares.

“O ataque teria causado danos significativos ao exterior e ao interior da Catedral da Dormição”, afirmou a entidade em comunicado.

O chefe da administração militar de Kiev, Tymur Tkachenko, classificou o episódio como um ataque direto ao patrimônio histórico da capital ucraniana.

Moscou confirmou a realização de um “bombardeio maciço” contra instalações militares nas regiões de Kiev, Kharkiv e Dnipropetrovsk, mas negou ter direcionado ataques ao complexo religioso.

O episódio ocorre em um momento de intensa mobilização diplomática. O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, aproveitou a nova onda de ataques para ampliar a pressão sobre os líderes das principais economias ocidentais reunidos na França para a cúpula do G7.

Segundo Zelensky, os ataques demonstram a necessidade de reforçar tanto as sanções econômicas contra Moscou quanto o apoio militar destinado à defesa aérea ucraniana.

“É muito importante que haja uma resposta dos países do G7, que agora se reúnem para sua cúpula, e que essa resposta seja decisiva e substancial: mais pressão sobre o agressor e mais apoio à defesa aérea da Ucrânia”, afirmou o presidente.

O apelo recebeu apoio imediato de aliados europeus. O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, condenou os ataques e afirmou que seu governo continuará ampliando medidas para reduzir as receitas que financiam a guerra russa.

As declarações reforçam a tendência de endurecimento da postura ocidental diante da continuidade do conflito, especialmente após o fracasso de sucessivas tentativas de negociação e cessar-fogo nos últimos anos.

A guerra iniciada em fevereiro de 2022 transformou-se no maior conflito armado em território europeu desde a Segunda Guerra Mundial. Ao longo desse período, cidades inteiras foram destruídas, milhões de pessoas foram deslocadas e dezenas de milhares de civis morreram em ambos os lados da linha de frente.

Nos últimos meses, a Rússia intensificou o uso combinado de drones e mísseis em ataques de longa distância, estratégia que busca pressionar a infraestrutura energética, militar e logística da Ucrânia. Em resposta, Kiev tem ampliado pedidos por sistemas avançados de defesa aérea fornecidos por aliados ocidentais.

O ataque desta semana reforça o desafio enfrentado pelas autoridades ucranianas. Mesmo com o aumento da capacidade de interceptação, a quantidade crescente de projéteis lançados pela Rússia continua impondo custos elevados à defesa do país e mantendo a população sob constante ameaça.

Enquanto líderes mundiais discutem novas medidas durante a reunião do G7, os acontecimentos em Kiev e em outras cidades ucranianas evidenciam que o conflito permanece longe de uma solução negociada e continua produzindo consequências humanas, econômicas e culturais em larga escala.