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Política

Michelle exige pedido de desculpas para entrar na campanha de Flávio

Ex-primeira-dama mantém distância da campanha presidencial do senador e exige retratação após sucessivos atritos familiares e divergências políticas
Por O Correio de Hoje
16/06/2026 | 16:02

A participação da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro na campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro segue travada por divergências familiares e políticas. Segundo lideranças do PL, Michelle condicionou sua entrada na campanha a um gesto público de retratação por parte dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, com quem mantém uma relação marcada por atritos nos últimos meses.

A cobrança ocorre em um momento de queda de Flávio nas pesquisas eleitorais, cenário que levou dirigentes do partido a atuar nos bastidores para tentar reaproximar a ex-primeira-dama da campanha. A avaliação dentro do PL é que Michelle ainda possui forte influência sobre o eleitorado bolsonarista e poderia fortalecer a candidatura do senador. O argumento apresentado por aliados é que uma eventual vitória de Flávio também abriria caminho para buscar uma reversão da situação jurídica de Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar.

Michelle foto Beto Barata
Ex-primeira-dama é presidente do PL Mulher e está pouco engajada com Flávio - Foto: Beto Barata / PL

Apesar das tentativas de conciliação, interlocutores afirmam que Michelle só pretende participar ativamente da campanha após receber um pedido público de desculpas dos enteados. Até o momento, porém, Flávio e o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro não demonstram disposição para fazer esse gesto.

O desgaste entre Michelle e os filhos do ex-presidente tem origem nas disputas internas pelo protagonismo no campo bolsonarista. A relação com Eduardo se rompeu depois que ele rejeitou publicamente a possibilidade de a ex-primeira-dama disputar a Presidência ou ocupar a vice em uma chapa nacional, defendendo a candidatura de Flávio ao Palácio do Planalto.

Já o distanciamento com Flávio se agravou após o senador classificar Michelle como “autoritária” durante uma divergência sobre a estratégia eleitoral no Ceará. A crítica veio depois que a ex-primeira-dama se posicionou contra o apoio do PL a Ciro Gomes na disputa pelo governo estadual, defendendo o nome do senador Eduardo Girão. Posteriormente, Flávio afirmou ter pedido desculpas à madrasta, mas o episódio não foi suficiente para reaproximá-los.

Desde dezembro, quando Flávio anunciou ter sido escolhido por Jair Bolsonaro como representante do grupo político na corrida presidencial, Michelle se mantém afastada da pré-campanha. Na semana passada, ao ser questionada sobre quando participaria da mobilização eleitoral, respondeu que, neste momento, “quem precisa dela é Jair Bolsonaro”.

A ex-primeira-dama também reduziu sua participação nas articulações políticas após indicar que poderia disputar uma vaga no Senado pelo Distrito Federal. Em março, afirmou que permaneceria distante das movimentações eleitorais enquanto o ex-presidente se recuperava.

Novos episódios contribuíram para ampliar o desconforto entre Michelle e os filhos de Bolsonaro. Em maio, durante a crise envolvendo Flávio e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, Carlos Bolsonaro e Eduardo demonstraram insatisfação com a ausência de uma defesa pública mais enfática da ex-primeira-dama. Michelle evitou comentar o caso e afirmou que os questionamentos deveriam ser dirigidos “ao próprio Flávio”.

O mal-estar aumentou no mesmo evento, quando Michelle se referiu ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes como “irmão em Cristo”, ao comentar a autorização concedida para que Jair Bolsonaro recebesse um cabeleireiro durante o período de prisão domiciliar.

Nos bastidores do PL, a postura é interpretada como uma tentativa de preservar o capital político da ex-primeira-dama diante das incertezas sobre o futuro da direita nas eleições. De acordo com informações divulgadas pelo colunista Lauro Jardim, Michelle e Flávio ainda não se encontraram pessoalmente neste ano, mantendo contato apenas por meio de interlocutores, entre eles o senador Rogério Marinho, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e a senadora Damares Alves.