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São João

Canjica, pamonha e pé-de-moleque: pratos típicos mantêm tradição das festas juninas

Receitas tradicionais à base de milho, amendoim e coco preservam histórias, memórias afetivas e a cultura popular das festas de São João em diferentes regiões
Por O Correio de Hoje
15/06/2026 | 13:31

Mais do que bandeirinhas, quadrilhas e música, as festas juninas têm na gastronomia um de seus principais símbolos. Presente em celebrações por todo o país, a culinária típica do período reúne receitas que atravessam gerações, preservam tradições culturais e despertam memórias afetivas. Pratos à base de milho, amendoim, coco e leite seguem entre os mais consumidos durante os festejos, reforçando a ligação entre a cultura popular e os sabores característicos da época.

Para destacar a importância dessas receitas, o chef e docente da área de Gastronomia do Senac Santo Ângelo, Reinaldo Farah, reuniu alguns dos preparos mais tradicionais das festas juninas e explicou suas origens, curiosidades e permanência nas mesas brasileiras. Segundo ele, o sucesso desses pratos está relacionado tanto à simplicidade dos ingredientes quanto ao valor cultural que carregam.

Festa Junina Divulgacao Senac RS
Canjica, pamonha, curau e bolo de milho seguem entre os pratos mais tradicionais no País - Foto: Senac / RS

“Escolhi esses pratos por entender que são clássicos carregados de história e cultura. São receitas consumidas em todo o Brasil, com ingredientes acessíveis, muito sabor e que remetem a uma gastronomia afetiva, cheia de memórias. Isso faz com que continuem sendo alguns dos preparos mais queridos e tradicionais das festas juninas em todo o país”, afirma.

Entre os destaques está a canjica cremosa com amendoim, receita de origem ligada às influências indígenas e africanas. O milho, base do prato, já era amplamente utilizado pelos povos originários antes da colonização, enquanto ingredientes como leite de coco, açúcar e especiarias foram incorporados posteriormente por africanos escravizados. Tradicional nas regiões Sudeste e Sul, a iguaria também é bastante consumida no Nordeste, onde recebe o nome de mungunzá.

Outro clássico é a pamonha doce, cuja origem remonta aos povos indígenas brasileiros, que já produziam massas de milho envoltas em folhas muito antes da chegada dos portugueses. Popular especialmente no Centro-Oeste, em Goiás, Minas Gerais e no interior paulista, a receita mantém características próximas às versões preparadas há séculos. O próprio nome tem origem indígena, derivado do termo tupi “pa’muña”, que significa algo pegajoso.

O arroz-doce também ocupa lugar de destaque nos festejos. Embora seja amplamente associado às festas juninas brasileiras, a receita chegou ao país por influência portuguesa. Sua origem, entretanto, é ainda mais antiga, com registros de preparações semelhantes no Oriente Médio e na Ásia. Tradicional em quermesses e celebrações familiares, o doce ganhou adaptações ao longo do tempo, mas preserva a combinação clássica de arroz, leite e canela.

O milho, considerado um dos ingredientes mais representativos das festas juninas, também é a base do curau. De origem indígena, o prato permanece popular principalmente no Sudeste, com forte presença no interior de São Paulo e em Minas Gerais. Em outras regiões do país, receitas semelhantes recebem diferentes nomes e podem apresentar variações na textura e no modo de preparo.

Entre os doces feitos com amendoim, o pé-de-moleque segue como uma das opções mais tradicionais. Surgido durante o período colonial, o preparo combina técnicas portuguesas de caramelização com ingredientes amplamente disponíveis no Brasil. Além da versão mais conhecida, feita com amendoim e açúcar, algumas regiões mantêm receitas próprias, como o pé-de-moleque pernambucano, elaborado com massa de mandioca e castanha.

Já o bolo de milho representa a forte ligação entre as festas juninas e a tradição rural brasileira. Com raízes na influência indígena e na utilização do milho como alimento básico, a receita se consolidou em diferentes regiões do interior do país. Historicamente, muitos desses bolos eram preparados em fornos à lenha durante celebrações comunitárias, costume que ainda permanece em algumas localidades.

A presença dessas receitas nas festas juninas evidencia a diversidade cultural brasileira e a influência de diferentes povos na formação da culinária nacional. Mais do que alimentos típicos, pratos como canjica, pamonha, arroz-doce, curau, pé-de-moleque e bolo de milho ajudam a preservar tradições, histórias e lembranças que continuam sendo transmitidas entre gerações a cada novo ciclo de celebrações juninas.