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Psicoterapia

Saiba quando é a hora de trocar de terapeuta

Falta de acolhimento, ausência de vínculo e incompatibilidade com a abordagem podem indicar a necessidade de buscar outro profissional
Por O Correio de Hoje
11/06/2026 | 12:58

Encontrar um terapeuta com quem exista sintonia e confiança é um dos fatores que mais influenciam o sucesso de um tratamento psicológico. No entanto, tão importante quanto iniciar um processo terapêutico é reconhecer quando a relação profissional já não está contribuindo para o desenvolvimento esperado. Nesses casos, a troca de terapeuta pode representar um passo importante para que o paciente volte a avançar em questões que parecem estagnadas.

As razões que levam uma pessoa a procurar outro profissional são diversas. Entre elas, uma das mais frequentes é a sensação de não estar sendo devidamente acolhida ou compreendida durante as sessões. Quando isso acontece, especialistas alertam que o vínculo terapêutico pode ficar comprometido, dificultando a continuidade do tratamento.

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Quando é hora de trocar de terapeuta? Especialistas apontam sinais que merecem atenção - Foto: Magnific

“No momento em que a pessoa não se sente acolhida e sente que não pode falar tudo o que deseja, é sinal de que o processo não está caminhando”, afirma Yara Ingberman, psicóloga e coordenadora de cursos de pós-graduação em psicologia clínica.

Segundo as especialistas, a relação estabelecida entre paciente e terapeuta é um dos pilares da psicoterapia. A psicóloga intercultural Andreia Batista explica que essa conexão de confiança e segurança recebe o nome de transferência. É por meio dela que o paciente consegue acessar conteúdos mais profundos da própria história, incluindo experiências traumáticas, conflitos emocionais e questões difíceis de compartilhar.

“Quando não há essa transferência, muitas vezes não há nem um processo psíquico”, afirma. Por isso, a criação desse vínculo deve ser considerada desde o início do acompanhamento psicológico. Sem ele, o paciente pode encontrar dificuldades para se expressar livremente, limitando os benefícios do tratamento.

Em alguns casos, porém, a confiança existe, mas a metodologia utilizada pelo profissional não produz os resultados esperados. Nessa situação, a pessoa pode perceber que as sessões se repetem sem avanços concretos, gerando a sensação de estar presa aos mesmos problemas.

De acordo com Andreia Batista, a troca pode ocorrer justamente pela busca de uma abordagem diferente. Enquanto alguns pacientes se adaptam melhor à psicanálise, outros podem encontrar maior identificação com linhas como a terapia cognitivo-comportamental (TCC) ou outros modelos de atendimento psicológico.

Outro aspecto importante envolve o estilo de trabalho adotado por cada terapeuta. Segundo Yara Ingberman, os profissionais possuem formas distintas de conduzir as sessões. Alguns são mais silenciosos e observadores, enquanto outros assumem uma postura mais ativa e questionadora. Há ainda aqueles que fazem intervenções mais diretas ou mais rígidas.

Quando essas características não correspondem às expectativas do paciente, a relação terapêutica pode se desgastar. Nesses casos, a busca por um profissional com perfil mais compatível pode favorecer a continuidade do tratamento.

As especialistas, no entanto, fazem um alerta importante: nem toda insatisfação significa necessariamente que a troca seja a melhor solução. Em determinados momentos, o desconforto emocional faz parte do próprio processo terapêutico e está relacionado ao enfrentamento de questões difíceis.