O Peru caminha para mais um desfecho eleitoral apertado. As primeiras pesquisas de boca de urna divulgadas após o encerramento da votação do segundo turno presidencial apontaram uma disputa em situação de empate técnico entre a candidata de direita Keiko Fujimori e o esquerdista Roberto Sánchez, refletindo a forte polarização política que marca o país há mais de uma década.
Segundo levantamento da Ipsos, Fujimori aparece com 50,7% dos votos válidos, contra 49,3% de Sánchez. Já a pesquisa da Datum mostrou uma diferença ainda menor: 50,5% para a candidata conservadora e 49,5% para o adversário de esquerda.

Com apenas 13% das urnas apuradas, os números oficiais preliminares indicavam vantagem mais ampla para Fujimori, com 52,5% dos votos, enquanto Sánchez somava 47,5%.
O resultado definitivo, porém, ainda está distante. O histórico recente das eleições peruanas reforça a cautela dos candidatos e das autoridades eleitorais diante de uma disputa que pode ser decidida por uma margem mínima.
As urnas foram fechadas às 17h no horário local, após uma jornada eleitoral considerada tranquila, sem os problemas logísticos e as denúncias de fraude que marcaram o primeiro turno, realizado em abril.
Ao comentar os primeiros números, Roberto Sánchez evitou qualquer comemoração antecipada e pediu serenidade aos eleitores.
“É bom que tenhamos esse empate técnico. Ninguém pode dizer que já ganhou ou perdeu”, afirmou.
O candidato acrescentou que os resultados preliminares exigem “profundo respeito pela democracia e pela vontade popular”.
A mesma postura foi adotada por dirigentes do partido Força Popular. Os candidatos à vice-presidência Luis Galarreta e Miguel Torres evitaram tratar a disputa como encerrada e destacaram a importância do acompanhamento da contagem oficial.
“O processo eleitoral ainda não acabou; pelo contrário, continua, e é aí que entram em ação nossos fiscais de votação e a defesa de cada voto”, declarou Galarreta.
O presidente do Júri Nacional de Eleições, Roberto Burneo, também pediu responsabilidade aos partidos e à população, ressaltando que a divulgação dos resultados seguirá os procedimentos previstos na legislação eleitoral.
“Os resultados oficiais serão divulgados à medida que as etapas estabelecidas por lei forem cumpridas”, afirmou.
A preocupação não é infundada. No segundo turno das eleições de 2021, Keiko Fujimori chegou a liderar as primeiras projeções, mas acabou derrotada por Pedro Castillo por uma diferença inferior a um ponto percentual após a conclusão da apuração.
O histórico eleitoral recente tornou a cautela uma necessidade em um país marcado por sucessivas crises políticas. Desde 2016, o Peru teve vários presidentes destituídos, renunciantes ou interinos, consolidando um cenário de instabilidade institucional.
A eleição deste ano ocorre em meio a um ambiente de forte desgaste da classe política e baixa confiança da população nas instituições. Cerca de 27 milhões de eleitores foram convocados para escolher o nono presidente peruano em apenas uma década.
A fragmentação do cenário político ficou evidente ainda no primeiro turno. Somados, Fujimori e Sánchez não alcançaram 30% dos votos válidos.