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Aeroporto Ben-Gurion

Aeroporto de Tel Aviv opera com capacidade reduzida após permanência de aviões militares dos EUA

Cerca de 75 aeronaves de reabastecimento americanas ocupam mais da metade das posições do Aeroporto Ben-Gurion e provocam impactos na aviação comercial israelense
Por O Correio de Hoje
05/06/2026 | 14:32

A presença prolongada de aeronaves militares americanas em Israel passou a gerar impactos diretos sobre a aviação civil do país e a pressionar a infraestrutura do principal aeroporto israelense. Cerca de 75 aviões de reabastecimento da Força Aérea dos Estados Unidos permanecem estacionados há três meses no Aeroporto Internacional Ben-Gurion, em Tel Aviv, ocupando mais da metade das posições disponíveis para aeronaves e agravando problemas operacionais já enfrentados pelo setor.

Segundo informações divulgadas pelo jornal israelense Haaretz, os aviões militares utilizam 59 das 99 posições de estacionamento existentes no terminal, limitando a capacidade operacional do aeroporto responsável pela maior parte do tráfego internacional de passageiros e cargas de Israel.

aviões eua em Israel
Aviões norte-americanos fazem empresas aéreas israelenses gastarem mais - Foto: Reprodução

A situação ocorre em um momento de forte pressão sobre a infraestrutura aeroportuária do país, em meio ao prolongamento das tensões regionais e à manutenção de operações militares ligadas ao conflito envolvendo Israel, Irã e grupos armados aliados de Teerã.

O impacto já aparece nas projeções de movimentação do setor. A Autoridade Aeroportuária de Israel revisou duas vezes suas estimativas para 2026. A expectativa inicial de receber 22 milhões de passageiros foi reduzida para 15 milhões, refletindo tanto a diminuição da oferta de voos quanto as dificuldades operacionais enfrentadas pelas companhias aéreas.

As perdas financeiras associadas ao cenário já são estimadas em aproximadamente 700 milhões de shekels, o equivalente a cerca de R$ 965 milhões. Autoridades do setor alertam que o prejuízo poderá alcançar 2 bilhões de shekels caso a situação se estenda até o final do ano.

Além dos efeitos econômicos, a ocupação das posições de estacionamento por aeronaves militares tem provocado reflexos na experiência dos passageiros. Relatos de atrasos tornaram-se mais frequentes e passageiros que viajam para Israel descrevem dificuldades crescentes para embarcar em aeroportos internacionais.

Nas redes sociais, usuários relatam longos períodos de espera em terminais europeus e mudanças constantes de programação em voos com destino ao país. A dificuldade para acomodar simultaneamente a operação militar americana e a demanda da aviação comercial transformou-se em um desafio logístico para o governo israelense.

Segundo fontes ouvidas pelo Haaretz, as autoridades analisaram alternativas para transferir parte das aeronaves americanas para bases militares, mas concluíram que não há espaço suficiente para absorver esse volume de equipamentos.

Além dos aviões estacionados no Ben-Gurion, cerca de outras 20 aeronaves americanas permanecem no Aeroporto Ramon, localizado no sul de Israel.

A permanência desses equipamentos está associada à estratégia de apoio logístico dos Estados Unidos na região. Os aviões-tanque desempenham papel relevante em operações de longo alcance, permitindo o reabastecimento em voo de aeronaves militares e ampliando o alcance operacional das forças aéreas.

A ausência de uma solução imediata levou companhias aéreas israelenses a adotar medidas emergenciais para preservar espaço nos aeroportos nacionais. Parte das frotas comerciais passou a ser estacionada em terminais localizados em diferentes países da Europa.

A alternativa, porém, tem elevado os custos operacionais das empresas. Além das despesas associadas ao estacionamento e à logística de manutenção, as transportadoras enfrentam novas dificuldades com o início da temporada de verão no continente europeu.

Tradicionalmente, o período concentra um aumento expressivo do tráfego aéreo na Europa, reduzindo a disponibilidade de posições para aeronaves estrangeiras e elevando a ocupação dos principais aeroportos.

Executivos do setor avaliam que parte das aeronaves israelenses atualmente estacionadas fora do país poderá perder espaço nos próximos meses, obrigando as empresas a buscar novas soluções para acomodar suas frotas.

O episódio evidencia os efeitos indiretos da crescente militarização da região sobre atividades econômicas e infraestrutura civil. Embora a prioridade das autoridades israelenses continue sendo a segurança nacional, operadores aeroportuários e companhias aéreas alertam que a continuidade do atual cenário poderá ampliar as restrições operacionais e gerar impactos adicionais sobre turismo, transporte de passageiros e logística internacional.

Para a economia israelense, que busca recuperar o fluxo de visitantes estrangeiros após sucessivos períodos de instabilidade regional, a redução da capacidade do Aeroporto Ben-Gurion representa mais um desafio em um ambiente marcado por elevados custos de segurança e incertezas geopolíticas.

Enquanto não há definição sobre a realocação das aeronaves americanas, o principal terminal aéreo de Israel continuará operando com capacidade reduzida, em um equilíbrio delicado entre demandas militares e necessidades da aviação comercial.