A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) adotará um esquema de controle, privacidade e monitoramento para a preparação da seleção brasileira durante a Copa do Mundo nos Estados Unidos. A estratégia busca preservar o foco dos atletas ao longo dos quase 40 dias previstos de competição e reduzir o impacto do excesso de informações, especialmente das redes sociais, sobre os jogadores.
A preocupação da entidade ocorre em um cenário bastante diferente daquele vivido pela seleção campeã mundial de 1994. Integrantes daquele grupo costumam apontar o ambiente fechado e a concentração exclusiva no torneio como fatores que contribuíram para o fim de um jejum de 24 anos sem títulos mundiais. Três décadas depois, a circulação constante de informações e a exposição digital passaram a ser vistas como desafios adicionais para o desempenho esportivo.

A delegação ficará hospedada no The Ridge Hotel, em Nova Jersey, escolhido por oferecer condições de conforto, segurança e privacidade. O acesso ao local será rigidamente controlado pela CBF. Apenas os 91 integrantes da delegação permanecerão hospedados no hotel, enquanto familiares e amigos dos atletas ficarão em outros locais e terão acesso limitado aos jogadores durante períodos específicos de folga.
Segundo apuração do jornal O Globo, a entidade elaborou um manual interno de conduta com orientações sobre o uso de celulares e redes sociais. Embora não haja proibição total, a intenção é reduzir estímulos externos e evitar distrações ao longo do torneio.
O volante Casemiro afirmou que não considera necessária uma restrição formal, mas defendeu uma relação mais equilibrada com as plataformas digitais.
“Poderíamos diminuir um pouco da rede social nas nossas vidas. Acho que o ser humano não está preparado para receber tanta informação. É uma opinião minha, cada um toma a decisão que quiser, todo mundo aqui já é pai de família. Tenho minhas redes sociais, aprovo tudo o que é colocado, tenho todas as informações, claro, mas se pudesse diminuir um pouco seria muito importante”, declarou.
Além das orientações sobre comportamento, a preparação contará com recursos tecnológicos voltados ao desempenho físico. Os atletas serão monitorados por scanners e sensores durante partidas e treinamentos. Desde a apresentação dos convocados, também utilizam calçados desenvolvidos com base em conceitos da neurociência, projetados para estimular áreas sensoriais por meio da sola dos pés e ampliar a percepção corporal dos jogadores.
A estrutura montada pela CBF inclui ainda chef de cozinha próprio para elaboração de cardápios balanceados e equipamentos de alto rendimento destinados à recuperação física e ao acompanhamento dos atletas.
O esquema de segurança também será ampliado. As atividades no centro de treinamento ocorrerão, em sua maioria, de forma fechada ao público, com reforço policial. A proposta difere parcialmente do modelo adotado pelo técnico Tite na Copa do Mundo de 2022, no Catar, quando o grupo teve poucas horas de folga durante a competição. Desta vez, os atletas terão mais liberdade para encontrar familiares e amigos, desde que respeitem as regras estabelecidas pela comissão técnica e pela direção da entidade.
O The Ridge Hotel possui 171 quartos e passou por uma ampla reforma concluída em 2018. As intervenções modernizaram áreas como lobby, lounge, biblioteca, academia e espaços de reunião, características que pesaram na escolha da delegação brasileira.
O centro de treinamento da equipe será o Columbia Park, em Morristown, também em Nova Jersey. A estrutura, utilizada pelo New York Red Bulls, foi reformada recentemente e conta com campos de treinamento, academia, vestiários e áreas administrativas. O complexo foi projetado com foco em sustentabilidade, acessibilidade e treinamento de alto rendimento.
De acordo com o coordenador-geral das seleções masculinas, Rodrigo Caetano, a escolha levou em consideração requisitos técnicos e operacionais.
“Tomamos todos os cuidados para encontrar um lugar que pudesse oferecer a estrutura necessária de treinamento, com privacidade, modernidade e conforto”, afirmou.
O Columbia Park foi disputado por diversas seleções participantes da Copa do Mundo. Segundo o gerente-geral de seleções da CBF, Cícero Souza, fatores como logística, qualidade dos gramados e adaptação dos atletas foram determinantes para a definição da base brasileira.
“O objetivo principal era buscar melhor qualidade de gramados, hotéis, facilidades de logística, a menor diferença possível de fuso e outros fatores que poderiam influenciar positivamente no desempenho da seleção. Encontramos na região de Nova York/Nova Jersey as melhores condições em todos esses itens e isso pode fazer a diferença numa competição que é extremamente complicada diante da grandeza do evento”, disse.
A seleção estreia na Copa do Mundo no dia 13 de junho, diante do Marrocos, no MetLife Stadium. O estádio fica a cerca de 30 minutos do hotel da delegação, enquanto o centro de treinamento está localizado a aproximadamente 15 minutos da hospedagem oficial da equipe. Durante a primeira fase, os jogos ocorrerão com intervalos de cinco dias, permitindo períodos de recuperação e convivência controlada com familiares entre as partidas.