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Defesa

‘Nós não temos defesa’, diz ministro José Múcio

José Múcio afirma que capacidade militar é incompatível com o tamanho do país; Forças Armadas aceleram planos de modernização em meio a novos desafios geopolíticos
Por O Correio de Hoje
02/06/2026 | 15:03

O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, fez um duro diagnóstico sobre a capacidade militar brasileira durante encontro fechado com representantes da Base Industrial de Defesa, em Brasília. Segundo reportagem publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, Múcio afirmou que o país não possui estrutura adequada para enfrentar ameaças compatíveis com seu tamanho e relevância internacional.

“Nós fizemos um diagnóstico nosso. A Defesa é precaríssima. A Defesa brasileira é incompatível com o tamanho e as potencialidades do Brasil. Nós não temos defesa”, declarou o ministro. Em seguida, reforçou: “Muita gente pensa que nós temos como nos defender; nós não temos”.

Múcio foto Hisaac Gomes MD
Ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, manifestou preocupação com capacidade de resposta das Forças Armadas - Foto: Hisaac Gomes / MD

Múcio citou como exemplo a mobilização militar realizada quando o regime venezuelano ameaçou avançar sobre a região de Essequibo, na Guiana. Segundo ele, a operação revelou dificuldades logísticas relevantes.

“A Aeronáutica chega em duas, três horas lá. A Marinha demora 20 dias para chegar ao Norte. Os blindados do Exército demoram 55 dias para chegar. Ou seja, se houvesse um conflito real, quando nós chegássemos lá, o povo já estaria instalado”, afirmou.

A preocupação com a capacidade de resposta das Forças Armadas também foi manifestada pelo comandante do Exército, Tomás Miguel Ribeiro Paiva.

“No passado, a gente não tinha nenhuma ameaça na América do Sul. Hoje, a gente já viu que a gente tem uma percepção de ameaça”, disse o general, ao destacar os desafios de monitorar e proteger os cerca de 17 mil quilômetros de fronteiras terrestres do país.

Segundo a reportagem, o Exército acelera estudos para ampliar o uso de drones de vigilância e ataque, munições vagantes e sistemas antidrones, tecnologias que ganharam protagonismo nos conflitos recentes da Ucrânia e do Oriente Médio.

Tomás destacou que países com menor poder militar vêm obtendo resultados relevantes por meio dessas ferramentas.

“Você está vendo países que têm um poder militar bem inferior às potências tradicionais e que estão conseguindo um resultado de dissuasão muito interessante com uma tecnologia de ponta, mas barata”, afirmou.

As declarações ocorrem em meio a um cenário de crescente preocupação com a segurança regional e poucos dias após os Estados Unidos classificarem o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. O alerta das Forças Armadas também coincide com o anúncio do contingenciamento de R$ 4,4 bilhões no orçamento do Ministério da Defesa, medida que, segundo militares, dificulta os planos de modernização e reequipamento das tropas.