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Religião

Papa Leão XIV pede perdão histórico pelo papel da Igreja na escravidão

Pontífice reconhece responsabilidade da Santa Sé na legitimação da escravidão e chama passado do Vaticano de “ferida na memória cristã”
Redação
26/05/2026 | 11:27

O papa Leão XIV fez um pedido histórico de perdão pelo papel da Igreja Católica na legitimação da escravidão de milhões de pessoas ao longo da história. A declaração foi publicada na segunda-feira 25 na encíclica “Magnífica Humanidade”, primeiro documento oficial do novo pontífice.

Pela primeira vez, um papa reconheceu publicamente a responsabilidade da própria Santa Sé por autorizar e legitimar práticas de escravização durante o período colonial. Leão XIV classificou o tema como uma “ferida na memória cristã” e admitiu que a Igreja demorou séculos para condenar explicitamente a escravidão.

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Papa Leão XIV fez pedido histórico de perdão pelo papel da Igreja Católica na legitimação da escravidão Foto: Reprodução/Instagram

“É impossível não sentir profunda tristeza ao contemplar o imenso sofrimento e a humilhação suportados por tantos”, escreveu o pontífice. “Por isso, em nome da Igreja, peço sinceramente perdão.”

O texto relembra bulas papais emitidas nos séculos XV e XVI que concediam aos reis portugueses autorização para conquistar territórios, subjugar povos considerados “infiéis” e reduzir pessoas à escravidão perpétua. Uma das mais citadas foi assinada em 1452 pelo papa Nicolau V.

Embora papas anteriores já tenham pedido desculpas pelo envolvimento de cristãos no tráfico transatlântico de escravizados, nenhum havia reconhecido diretamente o papel institucional da Igreja Católica nesse processo.

Leão XIV também relacionou o tema às novas formas de exploração humana na era digital. Na encíclica, o papa alertou para riscos ligados à Inteligência Artificial, ao trabalho precário e à exploração de minerais raros utilizados na produção de tecnologia.

Segundo ele, as novas formas de “escravidão moderna” podem surgir da revolução tecnológica caso não haja proteção à dignidade humana.

O pontífice destacou ainda que a incompatibilidade total entre cristianismo e escravidão só foi oficialmente reconhecida pela Igreja após 18 séculos. “Não podemos negar ou minimizar essa demora”, afirmou.

Nascido nos Estados Unidos com o nome Robert Prevost, Leão XIV possui ascendência crioula e ancestrais negros identificados em pesquisas genealógicas recentes. O papa também viveu por quase duas décadas no Peru, convivendo com comunidades indígenas da região amazônica.

A declaração ocorre semanas após viagem do pontífice à África, onde relembrou o sofrimento causado pelo tráfico negreiro durante o período colonial português.