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Desenvolvimento

“Fala de bebê” fortalece vínculo familiar e ajuda linguagem

Pesquisa indica que adaptação na forma de falar auxilia bebês a reconhecer sons, palavras e padrões da língua
Por O Correio de Hoje
26/05/2026 | 13:02

Uma pesquisa divulgada pela linguista Karen Stollznow aponta que a chamada “fala de bebê”, frequentemente usada por adultos ao conversar com crianças pequenas, não atrasa o desenvolvimento da linguagem. Segundo o estudo, a adaptação na forma de falar pode, na verdade, contribuir para o aprendizado dos sons, palavras e padrões da língua.

A prática, conhecida entre pesquisadores como “parentês”, costuma incluir entonação exagerada, palavras no diminutivo, tom de voz mais agudo, ritmo mais lento e alongamento das palavras. Apesar de muitos pais ouvirem recomendações para evitar esse tipo de comunicação, o estudo afirma que ela desempenha papel importante no processo de aquisição da linguagem.

Bebê
Estudo aponta que “fala de bebê” pode ajudar no desenvolvimento da linguagem infantil - Foto: Freepik

De acordo com Karen Stollznow, existe uma preocupação recorrente de que a fala simplificada possa confundir crianças pequenas ou prejudicar o desenvolvimento linguístico. No entanto, a pesquisadora afirma que as evidências apontam para o caminho oposto.

“Muitos pais já ouviram o alerta: não fale como se fosse um bebê com bebês e crianças pequenas. Em vez disso, os cuidadores são frequentemente incentivados a falar corretamente e usar uma linguagem adulta, devido à preocupação de que a fala simplificada possa confundir as crianças ou atrasar seu desenvolvimento”, escreveu.

Segundo a autora, a linguagem infantilizada utilizada pelos adultos possui características específicas que ajudam os bebês a reconhecer sons e padrões da fala. “A linguagem parentês usa palavras reais e frases gramaticalmente corretas, mas com entonação exagerada, palavras no diminutivo, tom mais agudo, vogais alongadas e ritmo mais lento”, explicou.

O estudo aponta que adultos tendem a utilizar esse padrão de fala de maneira instintiva ao interagir com bebês. Pesquisadores observaram que crianças pequenas demonstram preferência por esse tipo de comunicação em comparação com a fala adulta tradicional.

“Pesquisadores descobriram que os bebês preferem ouvir a fala infantilizada em vez da adulta normal. Os sons exagerados e o ritmo mais lento facilitam o processamento”, afirmou. De acordo com a pesquisa, a adaptação ajuda os bebês a perceberem melhor os sons individuais das palavras, compreenderem limites entre palavras e identificarem padrões linguísticos.

“Os bebês conseguem distinguir melhor os sons individuais, perceber fronteiras entre as palavras e reconhecer padrões”, destacou. Outro aspecto citado pela pesquisadora é o fortalecimento do vínculo emocional entre adultos e crianças durante a comunicação. Segundo ela, o aprendizado da linguagem ocorre principalmente por meio das interações responsivas estabelecidas com os cuidadores.

“Além disso, fortalece o vínculo emocional. Os bebês aprendem por meio da interação afetiva e responsiva com os cuidadores”, escreveu. O estudo também rebate a ideia de que os erros cometidos por crianças pequenas representam sinais de aprendizado inadequado da língua. Para Karen Stollznow, essas construções fazem parte do desenvolvimento linguístico natural.

Ela cita como exemplo casos de generalização gramatical feitos pelas crianças. Uma delas é o uso incorreto de verbos ao aplicar uma regra aprendida anteriormente. “Uma criança pode perceber que o passado de ‘aprender’ é ‘aprendi’ e usar a mesma lógica em ‘fazer’, criando a forma errônea ‘fazi’”, explicou.

Segundo a pesquisadora, esses erros não ocorrem de forma aleatória, mas demonstram que a criança compreendeu regras gramaticais e tenta aplicá-las de maneira consistente. “Esses não são erros aleatórios. Na verdade, eles mostram que a criança entendeu uma regra gramatical e está tentando aplicá-la de forma consistente”, afirmou.

A pesquisa também destaca que crianças não aprendem linguagem apenas reproduzindo palavras ditas pelos adultos. O processo envolve observação, formulação de hipóteses e compreensão gradual do funcionamento da língua. “As crianças não aprendem a linguagem copiando os adultos palavra por palavra. Elas testam hipóteses sobre como a linguagem funciona”, escreveu.

Karen Stollznow é pesquisadora em Linguística na Universidade do Colorado em Boulder e na Universidade Griffith. O estudo foi publicado originalmente pelo site The Conversation sob licença Creative Commons.