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Consequência

Dono da Riachuelo diz que fim da escala 6×1 pode elevar preços e reduzir empregos

Flávio Rocha afirmou que o efeito tende a ser ainda maior no varejo, setor que considera mais dependente de mão de obra
Redação
26/05/2026 | 05:31

O empresário Flávio Rocha, herdeiro do Grupo Guararapes e controlador da Riachuelo, afirmou que a proposta de redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6×1 deverá provocar aumento da inflação e pressionar os preços ao consumidor. Segundo ele, estudos internos da companhia estimam impacto médio de 13% nos custos das empresas.

Durante participação no Fórum Brasil 2026, realizado no Guarujá, em São Paulo, Rocha afirmou que o efeito tende a ser ainda maior no varejo, setor que considera mais dependente de mão de obra.

Brasil 200 Flávio Rocha Teatro Riachuelo (290)
Empresário Flávio Rocha alerta para risco de “populismo” contaminar debate - Foto: José Aldenir

“No caso do varejo, o impacto é maior, porque o setor é mais dependente de mão de obra. Então, imaginamos que o custo vá subir na casa de 18% a 20%”, declarou. Segundo o empresário, esse aumento deverá ser repassado aos preços dos produtos ou resultar em redução do número de empregados para preservação das margens das empresas.

Rocha afirmou que a preocupação é maior entre pequenas e médias empresas, que, segundo ele, concentram atualmente a maior parte da geração de empregos no país. Na avaliação do empresário, negócios menores teriam mais dificuldade para absorver o aumento de custos provocado pela redução da jornada semanal.

O dono da Riachuelo também argumentou que parte do mercado já adota espontaneamente escalas mais flexíveis, como o modelo 5×2, e criticou a criação de uma regra única para todos os setores da economia. Segundo ele, atividades como indústria, restaurantes e salões de beleza dependem de maior flexibilidade de funcionamento ao longo da semana.

Apesar das críticas, Rocha disse considerar legítimo o debate sobre qualidade de vida e redução da carga horária. Segundo ele, é natural que trabalhadores desejem mais tempo com a família e melhores condições de trabalho. O empresário ponderou, no entanto, que a discussão ocorre em ambiente eleitoral e corre o risco de ser conduzida pelo “populismo”, sem análise adequada dos impactos sobre emprego e capacidade de contratação das empresas.