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Eleições

Jean diz que suplência de Rafael Motta é do PDT

Ex-senador afirma que partido é autônomo e levou composição própria para aliança governista; disputa por espaços na chapa de 2026 segue aberta entre partidos da base
Por O Correio de Hoje
21/05/2026 | 16:19

O ex-senador Jean Paul Prates (PDT) reagiu às articulações que tentam reabrir a discussão sobre a primeira suplência de Rafael Motta (PDT) na chapa governista ao Senado e afirmou que a vaga já foi definida pelo próprio PDT. Em entrevista ao programa Contraponto, da 96 FM, nesta quinta-feira 21, ele disse que o partido é autônomo, não integra federação e se aliou ao bloco liderado pelo PT levando uma composição própria: Rafael como pré-candidato ao Senado e ele, Jean Paul, como primeiro suplente.

A declaração ocorre em meio à disputa interna na base governista pela montagem final da chapa majoritária. O grupo já tem Cadu Xavier (PT) como pré-candidato ao Governo do Estado e Samanda Alves (PT) e Rafael Motta como nomes ao Senado, mas ainda discute a vaga de vice-governador e as suplências senatoriais. Nos últimos dias, dirigentes de partidos aliados passaram a tratar esses espaços como ainda abertos, inclusive a suplência de Rafael.

Chapa PDT
Jean Paul e Rafael Motta com dirigentes do PDT Carlos Lupi e Márcia Maia - Foto: PDT / Reprodução

Jean Paul contestou essa leitura. Segundo ele, o PDT tomou sua decisão internamente, depois de uma pesquisa para escolher entre o nome dele e o de Rafael Motta para a cabeça de chapa. Rafael apareceu melhor no levantamento e ficou com a titularidade. Jean Paul ficou como primeiro suplente.

“O PDT tem uma definição. O PDT é um partido autônomo. É um partido que não está na federação”, afirmou. “O PDT é que está se aliando a essa aliança governista, lulista, caduísta, e colocando-se ao lado de Samanda Alves.”

O debate ganhou força depois que a vereadora Samanda Alves, presidente estadual do PT no Rio Grande do Norte e pré-candidata ao Senado, afirmou que Jean Paul não está garantido como suplente de Rafael. Segundo ela, o grupo governista reúne hoje cinco partidos e pode chegar a oito, o que impede assegurar que o candidato ao Senado e o suplente sejam do mesmo partido.

A fala de Samanda foi interpretada como um recado direto ao PDT e a Jean Paul, que aceitou a suplência depois de perder para Rafael a disputa interna pela candidatura ao Senado. Antes disso, o PDT havia anunciado a composição como acordo interno da legenda, numa espécie de mandato compartilhado.

A posição de Samanda também apareceu em diálogo citado pelo ex-deputado estadual Sandro Pimentel (Psol), pré-candidato ao Senado. Ele afirmou ter recebido ligação da presidente estadual do PT para discutir a composição da chapa governista. Segundo Sandro, Samanda disse que o PT ainda não tinha definição sobre o segundo nome para o Senado.

“Samanda me disse hoje, na ligação, que o PT não tem o segundo nome. A gente tem conversas, tem diálogos, mas tem possibilidades”, afirmou Sandro. A declaração reforçou a leitura de que Rafael Motta, embora indicado pelo PDT, ainda dependia de uma acomodação mais ampla com os partidos do campo governista.

O presidente estadual do PV, Rivaldo Fernandes, também colocou a suplência de Rafael na mesa de negociação. Em entrevista à 96 FM, ele afirmou que o espaço está em aberto porque o PV segue a orientação do conjunto de partidos. “Está em aberto. Porque o Partido Verde segue um pouco a orientação do conjunto de partidos”, disse.

Rivaldo explicou que o tema ainda não havia sido formalmente discutido porque uma reunião da Federação PT, PV e PCdoB foi adiada por falta de quórum. Segundo ele, a questão entraria na pauta dos próximos encontros. “Isso não está em discussão ainda porque íamos ter agora a reunião que fica adiada. Onde essa questão iria ser tratada”, afirmou.

O dirigente do PV defendeu que as suplências sejam submetidas ao conjunto da aliança. Para ele, a prioridade é construir uma frente “mais ampla possível” em torno de Cadu Xavier. Rivaldo também mencionou a possibilidade de chegada do PSDB, presidido no RN por Ezequiel Ferreira, presidente da Assembleia Legislativa, como fator capaz de ampliar as possibilidades da candidatura governista.

“Há uma preocupação com a ampliação da frente, a discussão do nome, a discussão do primeiro suplente, tudo isso. Até porque tem uma série de partidos e o pessoal não tem participado. Então tem que respeitar o pessoal”, afirmou Rivaldo.

O PV também reivindica espaço na composição. Rivaldo apresentou o nome do professor Emmanuel Nunes, de Mossoró, como opção do partido para uma suplência ao Senado. “Nós queremos compor a majoritária. Nós não estamos impondo, não. Nós temos que participar”, declarou.

Jean Paul, no entanto, afirmou que o PDT não pode ter sua decisão interna desconsiderada. Segundo ele, a composição foi discutida com a governadora Fátima Bezerra (PT) e também levada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo presidente nacional do PDT, Carlos Lupi. O ex-senador disse que Lupi tratou do assunto em reunião com presidentes de partidos e apresentou a ideia de um mandato compartilhado entre Rafael e ele.