BUSCAR
BUSCAR
Política

Crise de Flávio abala relação com evangélicos, mercado e agro

Caso afeta relação com evangélicos, empresários e mercado financeiro e leva à saída de marqueteiro da pré-campanha presidencial
Por O Correio de Hoje
21/05/2026 | 15:44

A crise envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro provocou desgaste em setores estratégicos da base bolsonarista, como lideranças evangélicas, empresários, investidores e representantes do agronegócio. O episódio também resultou na saída do marqueteiro Marcello Lopes, o Marcellão, da pré-campanha presidencial do senador.

Para o lugar dele foi escolhido Eduardo Fischer, publicitário que atuou na campanha presidencial de Alvaro Dias em 2018.

Flávio foto Jefferson Rudy Senado
Crise ganhou força após divulgação de áudios em que senador cobra recursos de Vorcaro - Foto: Jefferson Rudy / Senado

Aliados admitem que o caso interrompeu uma tentativa de aproximação de Flávio com setores do mercado financeiro e do empresariado. A crise ganhou força após a divulgação de áudios em que o senador cobra recursos de Vorcaro, além de revelações sobre a proximidade entre ambos.

Entre evangélicos, o impacto foi imediato. O assunto dominou conversas em grupos de líderes religiosos alinhados ao bolsonarismo, como os pastores Silas Malafaia, Robson Rodovalho, Renê Terra Nova e Estevam Hernandes.

Rodovalho afirmou que o caso foi um “balde de água fria” na pré-campanha de Flávio. “Foi muito negativo tanto o fato em si, da aproximação com Vorcaro, como a explicação em prestações”, disse. Já Malafaia afirmou que o apoio pode ser revisto caso surjam novas revelações. “Se tiver mais coisa, será difícil apoiar”, declarou.

Nos bastidores, voltou a crescer entre evangélicos a possibilidade de uma candidatura da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro como alternativa dentro do Partido Liberal.

No mercado financeiro, o caso repercutiu durante a Brazil Week, em Nova York, e ampliou dúvidas sobre a viabilidade eleitoral de Flávio como principal nome da direita contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A campanha intensificou agendas com empresários e investidores em São Paulo para tentar conter o desgaste.

A crise também fortaleceu especulações em torno de outros nomes da direita, especialmente os governadores Romeu Zema e Ronaldo Caiado, vistos por setores do mercado e do agronegócio como alternativas mais estáveis.

Apesar do desgaste, dirigentes do PL avaliam que ainda é cedo para definir os impactos definitivos da crise. O presidente do partido, Valdemar Costa Neto, afirmou que Flávio mantém força política “mais sólida do que nunca”, embora a legenda acompanhe os próximos dias como decisivos para medir os efeitos do caso.