A força-tarefa formada pela Polícia Penal e pela Polícia Militar do Rio Grande do Norte já recapturou três dos cinco fugitivos da Penitenciária de Alcaçuz, em Nísia Floresta, na Grande Natal. O terceiro preso foi localizado por volta das 12h45 desta quinta-feira 21 no Conjunto Village de Prata, no bairro Planalto, em Natal.
Segundo a Polícia Militar, equipes do 11º Batalhão, além de guarnições da Força Tática 01 e 02, receberam denúncia anônima informando que um dos fugitivos estaria escondido na localidade.

Diante das informações, as equipes se deslocaram ao endereço indicado, onde realizaram a abordagem ao suspeito. Após a identificação e confirmação da condição de foragido, os policiais deram voz de prisão ao indivíduo.
Em seguida, o conduzido foi encaminhado à Central de Flagrantes para a adoção das medidas cabíveis.
Mais cedo, às 5h15 da manhã desta quinta-feira 21, a força-tarefa já havia recapturado Jefferson Cleyton Lima da Silva, de 25 anos, em um sítio na zona rural do município de Japi, a 139 quilômetros de Natal.
Segundo a Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (Seap), as equipes cercaram a área e realizaram a captura sem registro de confronto. Participaram da operação policiais penais da Central de Monitoramento Eletrônico (CEME) e do Grupo de Operações Especiais (GOE), em ação conjunta com equipes do 15º Batalhão da Polícia Militar, sediado em Santa Cruz.
A primeira recaptura ocorreu na tarde da quarta-feira 20, quando a força-tarefa localizou Pedro Gabriel da Silva, de 20 anos, no bairro Felipe Camarão, na Zona Oeste de Natal. Ele estava escondido na casa de parentes.
Participaram da operação que recapturou Pedro Gabriel policiais da Central de Monitoramento Eletrônico (CEME), do Grupo de Operações Especiais (GOE) e do Batalhão de Policiamento de Choque (BPChoque). Após a prisão, o detento foi conduzido para a Central de Flagrantes da Polícia Civil e para a Polícia Científica. Em seguida, retornou ao sistema penitenciário.
De acordo com a Seap, desde a fuga registrada no dia 2 de maio, as forças de segurança realizam um trabalho contínuo de inteligência, monitoramento e diligências em diversas regiões do estado para localizar os detentos. A população pode colaborar com as investigações por meio do telefone 181. O anonimato é garantido.
Fuga
Imagens divulgadas pela Seap registraram a movimentação dos cinco presos durante a fuga ocorrida na madrugada do dia 2 de maio na Penitenciária Estadual de Alcaçuz. Os detentos escaparam entre 0h e 1h da manhã, mas a ausência deles só foi percebida horas depois, durante a contagem dos apenados nas celas.
As câmeras de monitoramento mostraram os presos já do lado de fora do pavilhão 1 da penitenciária. Chovia forte na região no momento da fuga.
Segundo a Seap, os detentos danificaram a estrutura do sistema de ventilação para sair da cela, atravessaram um muro interno e utilizaram uma corda improvisada com lençóis, conhecida como “teresa”, para pular o muro principal da unidade, que tem mais de cinco metros de altura.
Uma semana antes da fuga em Alcaçuz, dois presos haviam tentado escapar pelo sistema de ventilação da cela no Presídio Rogério Coutinho Madruga, unidade vizinha à penitenciária. Na ocasião, policiais penais de plantão e equipes da Central de Rádio e Videomonitoramento impediram a ação.
“Surpresa”
O secretário de Estado da Administração Penitenciária do Rio Grande do Norte, Helton Edi Xavier, afirmou que a fuga foi uma “surpresa” para o sistema prisional do Estado. “Apesar de ser uma unidade antiga, a gente vem fazendo alguns reparos na unidade e foi realmente uma surpresa para a gente”, disse.
Segundo a Seap, a Penitenciária Estadual de Alcaçuz não registrava fugas havia quase cinco anos. Já o Presídio Rogério Coutinho Madruga, localizado ao lado, registrou uma fuga em 2024.
Dois memorandos enviados pela direção da penitenciária à Seap, nos dias 20 de março e 2 de abril, solicitaram manutenção nas câmeras de monitoramento dos pavilhões 1 e 4. O pavilhão 1 foi justamente o local de onde os presos escaparam.
Ainda segundo Helton Edi Xavier, o problema técnico não comprometeria a cobertura de monitoramento da unidade. “Temos centenas de câmeras. Algumas podem ficar fora do ar, mas não há áreas sem cobertura de imagem. Quando uma falha, há outros ângulos que permitem o monitoramento”, afirmou.
A presidente do Sindicato dos Policiais Penais do RN, Vilma Batista, afirmou que a desativação das 10 guaritas de Alcaçuz pode ter contribuído para que a fuga não fosse percebida no momento em que ocorreu.
“Os policiais, pelo baixo efetivo que tinha no posto, não tinham condições de visualização. Também facilitou para essa fuga foram essas guaritas desativadas”, declarou.
Alcaçuz
Criada em 1998, a Penitenciária Estadual de Alcaçuz foi construída para substituir a Penitenciária Central Doutor João Chaves, conhecida como “Caldeirão do Diabo”, na Zona Norte de Natal.
A unidade ficou marcada nacionalmente após a rebelião de 2017, considerada a maior da história do sistema prisional do Rio Grande do Norte. O episódio ficou conhecido como “Massacre de Alcaçuz”. Ao todo, 26 presos morreram, a maioria decapitada, e outros 56 conseguiram fugir.