Um violão utilizado por Pelé durante a preparação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 1966 será colocado em leilão com lance inicial de R$ 20 mil. O instrumento, autografado pelo Rei do Futebol, permaneceu guardado por décadas com uma família do Rio de Janeiro após ter sido deixado na concentração da equipe brasileira em Caxambu, Minas Gerais.
O objeto ficou conhecido por aparecer em fotografias históricas de Pelé tocando durante momentos de descontração da Seleção. Em algumas imagens, Garrincha aparece ao lado do jogador batucando em uma caixa de fósforos enquanto o camisa 10 toca o instrumento.

A história do violão começou durante o período de preparação do Brasil para o Mundial de 1966, quando a equipe comandada pelo técnico Vicente Feola se concentrou em Caxambu. Na época, jornalistas também acompanhavam a rotina da Seleção durante os treinamentos e momentos fora de campo.
Segundo a reportagem, o jornalista Del Nero, da extinta O Cruzeiro, foi um dos profissionais enviados para cobrir a preparação da equipe. Como era comum naquele período, moradores da cidade ajudavam hospedando profissionais da imprensa em suas casas.
Foi nesse contexto que o violão acabou chegando às mãos da família de Angélica Pinheiro Mirabella, no Rio de Janeiro. O jornalista Felipe Pinheiro Mirabella, neto de Angélica, contou que o instrumento foi deixado por Pelé durante a concentração e acabou sendo guardado pela família ao longo dos anos.
“Quando Pelé viu, ficou apaixonado pelo violão. E quis ficar com ele. Mas o jornalista não deixou, tinha que devolver para a minha avó Pelé, então, resolveu assinar o violão, frisando o tampo com chave. Assinou ‘Edson Pelé’, e a assinatura mesmo, porque em autógrafo ele só escrevia ‘Pelé’. Quando recebeu de volta e viu o violão, de presente de seus pais, daquele jeito, minha avó ficou emputecida da vida. Ela era casca grossa (risos)”, relatou.
O instrumento continuou com a família após a morte de Angélica, em 2015. Atualmente, ele pertence ao médico Carlos Roberto Pinheiro Mirabella, morador da Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro. Segundo familiares, Angélica nunca gostou da assinatura feita por Pelé no instrumento.
“Angélica ficou furiosa, achou que ele tinha acabado com o violão. Nunca gostou dessa assinatura”, contou Carlos Roberto. Apesar disso, o violão foi preservado por décadas. O médico afirma que a família sempre recebeu propostas de compra pelo instrumento.
“Sempre fui perdidamente apaixonado por música, quando vi o violão não parava de tocar nele. Está inteiro. Tentei vendê-lo num leilão em abril, mas não houve validação”, disse. O instrumento será novamente colocado à venda após passar por nova avaliação técnica.
Especialistas afirmam que peças associadas a Pelé possuem alto valor histórico e despertam interesse de colecionadores dentro e fora do Brasil. O violão também chama atenção por estar ligado diretamente ao período de preparação da Seleção Brasileira para a Copa de 1966.
Naquele Mundial, o Brasil acabou eliminado ainda na primeira fase após derrotas para Hungria e Portugal. A equipe venceu apenas a Bulgária na estreia. O médico Carlos Roberto chegou a brincar sobre a possibilidade de o episódio envolvendo o violão ter influenciado o desempenho brasileiro naquele torneio.
“Conspiracionistas poderiam dizer que a separação do Pelé do violão do Del Vecchio nos fez perder aquela Copa do Mundo em 1966. E futebol, o Dr. Carlos Roberto se diverte ao palpitar: ‘É capaz, não duvido’.”