Uma única dose de psilocibina, substância presente nos chamados cogumelos alucinógenos, pode ajudar no tratamento da dependência de cocaína. A conclusão é de um estudo publicado na revista científica Jama Network Open.
Pesquisadores da University of Alabama at Birmingham acompanharam 40 adultos com transtorno por uso de cocaína que desejavam interromper o consumo. Em um ensaio clínico randomizado e controlado por placebo, parte dos participantes recebeu uma dose única de psilocibina, enquanto o restante tomou placebo. Todos passaram por sessões de psicoterapia antes e depois da intervenção.

Após seis meses, quase 30% dos pacientes que receberam psilocibina permaneceram completamente abstinentes, resultado que não foi observado no grupo placebo. Os participantes tratados também apresentaram menor taxa de recaída, e não houve eventos adversos graves. O efeito colateral mais comum foi aumento transitório da pressão arterial.
“O transtorno por uso de cocaína há muito carece de opções de tratamento eficazes”, afirmou Peter Hendricks, coordenador do estudo. Atualmente, não há medicamentos aprovados especificamente para tratar a dependência de cocaína.
Especialistas acreditam que a psilocibina possa aumentar a neuroplasticidade, isto é, a capacidade do cérebro de reorganizar conexões e favorecer mudanças de comportamento. Segundo a psicóloga clínica Gabrielle Agin-Liebes, a substância atua como um “catalisador dentro de um processo terapêutico”, ajudando o paciente a desenvolver novas perspectivas e estratégias para abandonar o uso da droga.
Os autores ressaltam que o estudo teve limitações, como o número reduzido de participantes, e que pesquisas maiores ainda são necessárias para confirmar os resultados.
A psilocibina também vem sendo estudada no tratamento de transtornos como Depressão. Pesquisadores da Cornell University identificaram que a substância pode reorganizar conexões em diversas regiões do cérebro, enfraquecendo circuitos associados à ruminação e fortalecendo áreas ligadas à percepção e à ação.
“Isso abre muitas possibilidades terapêuticas”, afirmou Alex Kwan, autor sênior da pesquisa.