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Economia

Correios ampliam Desenrola 2.0

Parceria com a Serasa leva renegociação de dívidas para mais de 10 mil agências enquanto estatal prepara novo PDV e tenta conter prejuízos bilionários
19/05/2026 | 11:26

Os Correios e a Serasa anunciaram nesta semana uma parceria para ampliar o alcance do programa Novo Desenrola Brasil 2.0, permitindo que consumidores renegociem dívidas presencialmente em mais de 10 mil agências da estatal em todo o país. A iniciativa busca atender principalmente pessoas com dificuldade de acesso aos canais digitais ou que preferem atendimento físico para reorganizar a vida financeira.

Segundo a Serasa, mais de 7,7 milhões de dívidas vinculadas ao Desenrola 2.0 poderão ser renegociadas com descontos de até 90%. Com a parceria, os Correios passam a funcionar como pontos de apoio para consumidores interessados em limpar o nome e renegociar débitos diretamente nas unidades da empresa.

Correios

Em nota, a diretora da Serasa, Aline Maciel, afirmou que a medida pretende ampliar o acesso da população ao programa. “Muitas pessoas querem negociar suas dívidas, mas ainda enfrentam obstáculos como falta de acesso digital, insegurança ou dificuldade para entender as opções disponíveis. Levar esse atendimento para as agências dos Correios é uma forma de democratizar o acesso às negociações e incentivar a retomada financeira da população”, disse.

O presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, afirmou que a estatal possui “uma das redes de atendimento físico mais amplas do país, presente em todo o território nacional e próxima da população”.

A ampliação do atendimento ao público ocorre em meio ao avanço do plano de reestruturação da estatal. A direção dos Correios prepara um novo plano de demissão voluntária (PDV), desta vez direcionado para unidades que deverão ser encerradas nos próximos meses. O plano prevê o fechamento de cerca de mil agências e centros de tratamento e distribuição de cargas.

O novo PDV será lançado após o encerramento do programa implementado neste ano, que registrou adesão de 3.075 funcionários, abaixo da meta inicial de 10 mil desligamentos. Até o fim de 2027, a estatal pretende reduzir o quadro em 15 mil trabalhadores, com expectativa de economia de R$ 1,4 bilhão.

A empresa também avalia novas medidas de contenção de despesas diante do agravamento da situação financeira. Segundo a direção dos Correios, a possibilidade de demissões não está descartada caso a companhia não consiga elevar receitas e reduzir custos operacionais.

Os Correios encerraram o último exercício com prejuízo de R$ 8,5 bilhões. A projeção interna é que o rombo se aproxime de R$ 10 bilhões neste ano, mesmo com a execução do plano de reestruturação conduzido pela nova gestão da estatal.

Os detalhes do novo PDV estão em negociação com a Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Sest), vinculada ao Ministério da Gestão. A expectativa é que as condições oferecidas não superem as do programa anterior, que previa incentivo financeiro e manutenção temporária do plano de saúde para os empregados desligados.