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Point

Telhado dos Beatles vira novo “point”

Espaço na Savile Row, onde a banda gravou “Let It Be” e realizou a última apresentação pública, reunirá arquivos inéditos e recriação de estúdio
Por O Correio de Hoje
14/05/2026 | 12:28

O prédio que serviu de cenário para a última apresentação pública dos The Beatles será transformado em museu em Londres. A Apple Corps, empresa fundada pelos integrantes da banda, anunciou que o imóvel localizado no número 3 da Savile Row, no centro da capital inglesa, será aberto ao público a partir do próximo ano, permitindo que fãs tenham acesso ao histórico telhado onde ocorreu o famoso show de 1969.

O local é considerado um dos principais pontos ligados à trajetória dos Beatles na cidade. Além de ter funcionado como sede da Apple Corps, o prédio também abrigou sessões de gravação do álbum Let It Be. Foi dali que Paul McCartney, John Lennon, George Harrison e Ringo Starr subiram ao terraço em 30 de janeiro de 1969 para realizar uma apresentação improvisada que entrou para a história da música.

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Prédio da Savile Row, localizado em Londres, será transformado em museu oficial dedicado aos Beatles a partir do próximo ano Foto: DIvulgação

O show, realizado durante o horário de almoço em uma quinta-feira chuvosa, atraiu funcionários de escritórios vizinhos e curiosos que acompanharam a performance das ruas ao redor da Savile Row. A apresentação foi interrompida após a chegada da polícia, que desligou a energia do prédio por causa do barulho e da aglomeração provocada pelo evento.

A futura atração turística reunirá sete andares de materiais inéditos do acervo da Apple Corps. Segundo comunicado divulgado pela empresa, o espaço contará com documentos históricos, itens ligados à trajetória da banda e uma recriação do estúdio onde os Beatles gravaram “Let It Be”. O projeto também prevê acesso ao terraço original utilizado pelos músicos.

“Até mesmo os corrimãos permanecem os mesmos”, afirmou Tom Greene, CEO da Apple Corps, em comunicado divulgado à imprensa. Especialista em turismo relacionado aos Beatles na Universidade de Liverpool, Holly Tessler afirmou que o endereço já funciona como um ponto de encontro frequente para admiradores da banda. Segundo ela, a Savile Row é hoje uma das atrações mais procuradas por fãs em Londres, ao lado da famosa faixa de pedestres da Abbey Road.

“Muito poucas pessoas entraram”, disse Tessler. “Eu adoraria ver.” Atualmente, os visitantes conseguem apenas observar o prédio do lado de fora e apontar para o telhado onde aconteceu o último show do grupo. Com a abertura do museu, o público poderá circular por áreas que até hoje permaneciam restritas.

Apesar de a Grã-Bretanha já possuir outros espaços dedicados aos Beatles — incluindo museus em Liverpool, cidade natal dos músicos —, os locais existentes não possuem licença oficial da banda ou da Apple Corps. O histórico show no terraço ganhou nova repercussão nos últimos anos após aparecer na série documental The Beatles: Get Back, dirigida por Peter Jackson, e no documentário Let It Be, de Michael Lindsay-Hogg.

Ao fim da apresentação de 1969, John Lennon encerrou o show com uma frase que ficou marcada na história da banda: “Espero que tenhamos passado no teste”. Paul McCartney afirmou ter retornado recentemente ao imóvel e disse esperar que o público possa conhecer o espaço em breve. “Há tantas lembranças especiais entre essas paredes, sem falar no terraço. Estou ansioso para que as pessoas o vejam quando estiver pronto”, declarou o músico.

Embora o prédio esteja associado a um dos momentos mais icônicos dos Beatles, muitos fãs também relacionam o período de gravação de Let It Be às tensões internas que antecederam o fim do grupo. Parte desses conflitos aparece nos registros das sessões de estúdio exibidas nos documentários lançados nos últimos anos.

“Talvez devêssemos nos divorciar”, disse George Harrison em uma das cenas recuperadas nas gravações analisadas por Peter Jackson. Segundo Holly Tessler, o período marcou o início do desgaste definitivo entre os integrantes, mas também ampliou o interesse do público por essa fase da banda. “Foi realmente o período em que tudo desmoronou”, afirmou.

O anúncio do novo museu ocorre em meio ao aumento da atenção em torno da trajetória dos Beatles nos últimos meses. A expectativa também cresce em relação ao projeto cinematográfico comandado por Sam Mendes, que pretende lançar, em abril de 2028, quatro filmes sobre a história do grupo, cada um centrado em um integrante diferente.

Os longas terão Paul Mescal interpretando Paul McCartney, Harris Dickinson no papel de John Lennon, Joseph Quinn como George Harrison e Barry Keoghan interpretando Ringo Starr.