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Economia

Medidas do governo Lula já somam R$ 140 bilhões em estímulos à economia

Pacote reúne ações tributárias, programas de crédito e iniciativas sociais voltadas ao consumo e à renda em meio a juros elevados e cenário pré-eleitoral
Por o Correio de Hoje
11/05/2026 | 15:51

Em meio às críticas do governo federal ao nível ainda elevado da taxa básica de juros, a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva já colocou em prática ou encaminhou um conjunto de medidas que pode injetar cerca de R$ 140 bilhões na economia entre 2025 e 2026. O cálculo é do BTG Pactual e considera iniciativas de caráter tributário, creditício e social que tendem a estimular a atividade econômica em pleno ano eleitoral.

O pacote inclui dez medidas já anunciadas, entre elas a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil por mês, novas linhas de crédito para trabalhadores do setor privado, caminhoneiros e habitação popular, além de programas que reduzem o custo de energia elétrica e gás de cozinha para famílias de baixa renda.

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aposta em medidas tributárias, sociais e de crédito para estimular a economia entre 2025 e 2026, com impacto estimado em R$ 140 bilhões segundo o BTG Pactual Foto: SEAUD/PR

Diferentemente de políticas baseadas no aumento direto do gasto público, o governo tem apostado em ações chamadas de parafiscais, que movimentam recursos e ampliam a renda disponível sem impacto imediato sobre as despesas primárias do Orçamento.

Economista do BTG, Fábio Serrano explicou que o valor estimado corresponde ao “efeito líquido” das medidas sobre a economia. “Os R$ 140 bilhões são o que a gente calcula a mais de estímulo, entre 2025 e 2026, sem que haja impacto primário sobre as contas públicas”, afirmou.

Em nota, o Ministério da Fazenda destacou que, desde o início do governo, 72 propostas econômicas foram aprovadas pelo Congresso Nacional, sendo 40 com participação direta da pasta. Segundo o ministério, medidas como a isenção do IR, o consignado para trabalhadores do setor privado, o Desenrola e a regulamentação das apostas esportivas “têm efeito direto sobre a vida das pessoas”.

A principal iniciativa em termos de impacto é a isenção do Imposto de Renda para rendimentos mensais de até R$ 5 mil, promessa de campanha de Lula que entrou em vigor neste ano. Segundo o BTG, a medida deve liberar R$ 31 bilhões adicionais para o consumo. O custo foi compensado com aumento da tributação sobre contribuintes com renda superior a R$ 50 mil mensais.

Apesar do potencial econômico, o efeito político ainda é considerado limitado dentro do próprio governo. Pesquisas de opinião não registraram, até o momento, melhora significativa na avaliação do presidente em razão da medida. Na semana passada, o ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, reforçou a divulgação da iniciativa nas redes sociais. “Quinze milhões de brasileiros que ganham até R$ 5 mil por mês não vão mais precisar pagar Imposto de Renda”, escreveu.

O BTG revisou sua projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano de 1,7% para 1,9%, mas também elevou a estimativa para a inflação de 4,7% para 4,9%. Segundo Serrano, parte dessa pressão decorre da alta do petróleo provocada pela guerra no Irã, mas o conjunto de estímulos também contribui para manter aquecida a inflação de serviços.

“Os dados de inflação têm sido revisados para cima e a inflação de serviços continua pressionada. Há também uma concentração de estímulos na economia neste primeiro semestre”, afirmou.

Como as medidas têm natureza predominantemente parafiscal, o impacto fiscal direto tende a ser reduzido. Ainda assim, o mercado projeta déficit primário de R$ 50 bilhões em 2026, acima da meta de R$ 34 bilhões prevista na Lei de Diretrizes Orçamentárias, embora o governo possa cumprir formalmente o objetivo com exclusões autorizadas pela legislação.

Entre os programas de crédito anunciados está a nova fase do Move Brasil, com R$ 21,2 bilhões para financiar caminhões, ônibus e implementos rodoviários com juros subsidiados e prazo de pagamento de até dez anos, sob operação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

Outras medidas incluem mudanças no consignado privado, com potencial de injetar R$ 24 bilhões, novo modelo de crédito imobiliário, estimado em R$ 22,3 bilhões, o Reforma Casa Brasil, com R$ 12,9 bilhões, e as faixas 3 e 4 do programa Minha Casa, Minha Vida, com mais R$ 6,5 bilhões.

A nova etapa do Desenrola, somada à autorização para uso do FGTS na quitação de dívidas, pode liberar outros R$ 16,1 bilhões.

Na área social, o governo lançou os programas Luz do Povo e Gás do Povo, que garantem gratuidade na conta de energia e no botijão de gás para famílias de baixa renda inscritas no Cadastro Único.

A única medida com efeito contracionista, segundo o BTG, foi a restrição às regras do saque-aniversário do FGTS, que deve reduzir em R$ 12,5 bilhões o volume de recursos disponíveis na economia.

Nas próximas semanas, o governo ainda pretende anunciar uma nova ampliação do Desenrola, voltada a pessoas adimplentes, mas endividadas, além de trabalhadores informais

Estímulos do governo em ano eleitoral

  • Isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil: R$ 31 bilhões
  • Move Brasil 1 e 2 (caminhões e veículos pesados): R$ 29,7 bilhões
  • Consignado para trabalhadores do setor privado: R$ 24 bilhões
  • Novo modelo de crédito imobiliário: R$ 22,3 bilhões
  • Desenrola 2.0 + uso do FGTS para quitar dívidas: R$ 16,1 bilhões
  • Reforma Casa Brasil: R$ 12,9 bilhões
  • Minha Casa, Minha Vida (faixas 3 e 4): R$ 6,5 bilhões
  • Luz do Povo: R$ 4,3 bilhões
  • Saque do FGTS: R$ 3,5 bilhões
  • Gás do Povo: R$ 1,6 bilhões
  • Restrição ao saque-aniversário do FGTS: – R$ 12,5 bilhões

Total estimado: R$ 139,4 bilhões