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Conflito

Netanyahu diz que guerra ainda não terminou

Primeiro-ministro israelense disse que instalações nucleares iranianas ainda precisam ser desmanteladas e defendeu vigilância permanente sobre o programa atômico
Por O Correio de Hoje
11/05/2026 | 14:20

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que a guerra contra o Irã ainda não chegou ao fim porque o programa nuclear iraniano continua ativo e parte das reservas de urânio enriquecido permanece no país. Em entrevista ao programa 60 Minutes, da CBS, que será exibida neste domingo, o líder israelense declarou que o desmantelamento das instalações nucleares iranianas continua sendo uma prioridade estratégica de Israel.

“A guerra não acabou, porque ainda há material nuclear — urânio enriquecido — que precisa ser retirado do Irã. Ainda há instalações de enriquecimento que devem ser desmanteladas”, afirmou Netanyahu durante a entrevista.

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Premiê israelense afirma que retirada de urânio enriquecido do Irã segue como plano principal da guerra Foto: Reprodução/Internet

Questionado sobre como o material nuclear poderia ser removido do território iraniano, o premiê respondeu de forma direta: “Entra-se e retira-se”. Netanyahu acrescentou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, compartilha visão semelhante sobre a necessidade de neutralizar a capacidade nuclear iraniana.

“Não vou tratar de meios militares aqui, mas o que o presidente Trump me disse: ‘Quero entrar lá’”, afirmou o líder israelense.

As declarações contrastam parcialmente com a postura pública adotada por Trump nas últimas semanas. O presidente americano enfrenta pressão política interna para encerrar o conflito e tem afirmado que o programa nuclear do Irã já estaria contido militarmente.

Em entrevista exibida neste domingo pela jornalista americana Sharyl Attkisson em seu canal no YouTube, Trump afirmou que o Irã está “militarmente derrotado” e declarou que os Estados Unidos podem controlar as reservas nucleares iranianas quando considerarem necessário.

“Vamos conseguir em algum momento, quando quisermos. Vamos mantê-lo sob vigilância”, afirmou Trump. “Está muito bem vigiado. Se alguém se aproximasse do local, saberíamos e os faríamos voar pelos ares.”

Apesar do tom mais duro em relação à permanência das reservas nucleares iranianas, Netanyahu sinalizou preferência por uma solução negociada para retirada do urânio enriquecido.

“Acho que é fisicamente possível. Esse não é o problema. Se um acordo for alcançado, entra-se e retira-se, por que não? Essa é a melhor maneira”, declarou.

Ao ser pressionado sobre possíveis operações militares para apreensão do material nuclear iraniano, o premiê evitou detalhar estratégias ou cronogramas. “Não vou falar sobre nossas possibilidades militares, nossos planos nem nada do gênero. Não vou estabelecer um cronograma, mas direi que se trata de uma missão de suma importância”, afirmou.

Além do programa nuclear, Netanyahu declarou que Israel ainda considera incompleta a ofensiva contra estruturas apoiadas pelo Irã na região. Segundo ele, grupos aliados de Teerã e programas ligados a mísseis balísticos continuam ativos, apesar das perdas recentes impostas pelas forças israelenses.

“Ainda há grupos apoiados pelo Irã, assim como seus mísseis balísticos, que eles continuam querendo fabricar. Certamente reduzimos grande parte dessa capacidade, mas tudo isso ainda existe e há trabalho a fazer”, afirmou ao programa americano.