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Dores

Coluna sente impacto das telas

Casos de alterações na coluna já aparecem em pacientes de 18 e 19 anos; uso excessivo de telas, sedentarismo e longos períodos sentados são fatores para aumento das dores
Por O Correio de Hoje
11/05/2026 | 13:40

Incômodos como dores nas costas ao fim do dia, tensão persistente no pescoço e dores de cabeça frequentes deixaram de ser episódios isolados e passaram a fazer parte da rotina de muitos jovens. O que antes era associado ao envelhecimento agora aparece cada vez mais cedo, e com sinais que já preocupam especialistas.

Dados do Sistema Único de Saúde (SUS) indicam um crescimento expressivo nos atendimentos relacionados a disfunções da coluna vertebral. Casos que antes eram mais comuns após os 45 anos começam a surgir em pacientes com 18 ou 19 anos, já apresentando alterações como degeneração discal e osteófitos, conhecidos como “bicos de papagaio”. O fenômeno acompanha uma tendência global: segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 80% da população terá ao menos um episódio de dor lombar ao longo da vida.

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Uso excessivo de telas, sedentarismo e má postura estão entre os principais fatores associados ao aumento de problemas na coluna Foto: FreePik

Para o fisioterapeuta Leonardo Lima, a explicação está diretamente ligada ao estilo de vida contemporâneo. “A rotina atual favorece o sedentarismo e a sobrecarga muscular. Muitos jovens passam horas no celular, computador, estudando ou trabalhando sentados e com pouca atividade física. Isso gera tensão muscular, principalmente na região cervical, ombros e lombar, além de dores de cabeça tensionais”, afirma.

O uso constante de telas é um dos principais fatores. A chamada “postura do celular”, cada vez mais comum, tem impacto direto na coluna. “Quando a pessoa passa muito tempo olhando para baixo no celular, aumenta a sobrecarga na coluna cervical. A chamada ‘postura do celular’ pode gerar dores frequentes, tensão muscular, rigidez no pescoço e até piora da postura ao longo do tempo se esse hábito não for corrigido”, explica.

A permanência prolongada na posição sentada também contribui para o problema. Mesmo em pessoas jovens, o corpo responde ao excesso de imobilidade. “Permanecer sentado por longos períodos reduz a ativação muscular, sobrecarrega a lombar e pode causar encurtamentos musculares”, diz o especialista. A ausência de pausas ao longo do dia agrava ainda mais esse quadro.

Outro fator que segue relevante é o peso carregado no dia a dia, especialmente entre estudantes. “Mochilas pesadas ainda são um problema, principalmente quando carregadas de forma inadequada, em apenas um ombro ou com peso excessivo. Isso pode causar sobrecarga muscular e alterações posturais”, pontua.

Embora dores ocasionais possam ser comuns, há sinais que indicam a necessidade de atenção. “Quando a dor persiste por semanas, piora progressivamente, limita atividades do dia a dia, causa formigamento, perda de força, tontura ou dores de cabeça muito frequentes, é importante procurar avaliação profissional”, orienta Leonardo.

A boa notícia é que mudanças simples podem ajudar a prevenir e aliviar esses quadros. “Exercícios ajudam no fortalecimento muscular, melhora da postura, mobilidade e redução das tensões do dia a dia. Atividades como musculação, pilates, alongamentos e exercícios funcionais podem ser grandes aliados”, destaca.

Além disso, hábitos cotidianos fazem diferença: fazer pausas durante o uso do computador, evitar longos períodos na mesma posição, ajustar a altura da tela e da cadeira, alongar-se ao longo do dia e prestar atenção à postura ao usar o celular são medidas que ajudam a reduzir o impacto dessa rotina.

O aumento das dores entre jovens revela uma mudança silenciosa na forma como o corpo responde ao cotidiano. Mais do que um desconforto passageiro, elas sinalizam um desequilíbrio que começa cedo e que pode acompanhar por muito mais tempo do que se imagina.