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Saúde

Microplásticos e poluição podem estar ligados ao aumento das alergias

Poluição, ultraprocessados, microplásticos e menor contato com a natureza estão entre os fatores investigados por pesquisadores
Por O Correio de Hoje
11/05/2026 | 13:35

Casos de asma, rinite e alergias alimentares têm aumentado em diferentes partes do mundo nas últimas décadas, principalmente entre crianças e jovens. Pesquisadores avaliam que esse crescimento não pode ser explicado apenas pela genética, já que alterações hereditárias ocorrem ao longo de muitas gerações. A discussão científica tem se voltado, cada vez mais, para fatores ambientais e mudanças no modo de vida moderno.

Especialistas apontam que elementos como poluição do ar, presença de microplásticos, alimentação baseada em produtos ultraprocessados e menor contato com ambientes naturais podem estar interferindo diretamente no funcionamento do sistema imunológico. Segundo os estudos mais recentes, o organismo humano passou a conviver, em um curto espaço de tempo, com condições muito diferentes das enfrentadas ao longo da evolução humana.

young woman blowing her nose
Vida moderna altera saúde das pessoas Foto: FreePik

A asma e a rinite, por exemplo, estão entre as doenças alérgicas mais frequentes atualmente. Os quadros podem provocar espirros, coceira, olhos lacrimejando, coriza e dificuldades respiratórias. Já as alergias alimentares têm aparecido com maior frequência em crianças, levando pesquisadores a investigar quais fatores ambientais estariam relacionados a esse avanço.

De acordo com especialistas, a vida moderna alterou a relação das pessoas com o ambiente ao redor. O aumento do tempo em locais fechados, o contato reduzido com a natureza e a menor exposição a microrganismos presentes no ambiente natural podem dificultar o desenvolvimento equilibrado das defesas do organismo.

Pesquisadores explicam que pele, intestino e vias respiratórias funcionam como barreiras naturais do corpo humano e ajudam a impedir a entrada de substâncias consideradas nocivas. Quando essas barreiras sofrem alterações, alérgenos e partículas irritantes conseguem penetrar com mais facilidade, ativando respostas inflamatórias.

Outro ponto investigado pela ciência é a chamada “hipótese da higiene”. Segundo essa linha de estudo, a redução da exposição a microrganismos ao longo da infância pode influenciar o desenvolvimento do sistema imunológico. Pessoas que crescem em áreas rurais ou têm maior contato com ambientes naturais tendem a apresentar uma diversidade maior de micróbios benéficos, considerados importantes para o equilíbrio imunológico.

A poluição atmosférica também aparece como um dos fatores mais associados ao crescimento das alergias. Partículas presentes no ar, gases poluentes e produtos químicos podem irritar as mucosas respiratórias e facilitar o surgimento de inflamações. Em algumas situações, esses elementos também potencializam a ação de alérgenos já existentes no ambiente.

Além disso, as mudanças climáticas têm alterado o calendário das alergias em várias regiões do planeta. O aumento das temperaturas e das concentrações de dióxido de carbono favorece a produção de pólen por plantas, ampliando o período de circulação dessas partículas no ar. Com isso, pessoas sensíveis acabam expostas por mais tempo aos agentes alergênicos.

Eventos climáticos extremos, como incêndios florestais e tempestades, também podem agravar o problema. A fumaça e o aumento de partículas suspensas na atmosfera elevam os níveis de irritação respiratória e contribuem para o agravamento de crises alérgicas e asmáticas.

Os pesquisadores também investigam os efeitos da exposição diária a produtos químicos presentes no cotidiano. Compostos encontrados em embalagens plásticas, cosméticos, produtos de limpeza, roupas e alimentos industrializados estão sendo analisados por sua possível influência sobre o sistema imunológico.

Entre os elementos observados pela comunidade científica estão os chamados desreguladores endócrinos e determinados aditivos químicos, capazes de alterar respostas inflamatórias do organismo. Outro foco recente de estudos envolve os microplásticos, pequenas partículas presentes no ambiente que podem ser inaladas ou ingeridas e que vêm sendo relacionadas a processos inflamatórios.

Embora muitos mecanismos ainda estejam sendo investigados, especialistas afirmam que diferentes fatores ambientais parecem atuar de forma combinada. Isso ajudaria a explicar por que mais pessoas têm desenvolvido alergias e por que os sintomas se prolongam por períodos maiores.

A microbiota intestinal também ganhou espaço nas pesquisas sobre doenças alérgicas. Cientistas avaliam que o conjunto de microrganismos presentes no organismo desempenha papel importante na regulação do sistema imunológico. Alterações provocadas pela alimentação inadequada, uso excessivo de antibióticos e redução do contato com ambientes naturais podem interferir nesse equilíbrio.

Os primeiros anos de vida são considerados decisivos para esse processo. Pesquisadores afirmam que a exposição a microrganismos durante a gestação e a infância ajuda o organismo a aprender a diferenciar substâncias perigosas de elementos inofensivos. Por isso, alterações nesse período podem influenciar a saúde por décadas.

Apesar do avanço dos casos de alergia, especialistas apontam que algumas medidas podem ajudar a reduzir riscos. Entre elas estão priorizar alimentos frescos, diminuir o consumo de ultraprocessados, reduzir o uso de embalagens plásticas, evitar exposição intensa à poluição e optar por materiais naturais em roupas e objetos do cotidiano.

Os pesquisadores também defendem políticas públicas voltadas à redução da poluição ambiental e ao controle de substâncias químicas potencialmente nocivas. Para os especialistas, o crescimento das alergias não significa necessariamente que o sistema imunológico esteja mais fraco, mas sim que o ambiente moderno mudou de forma acelerada e passou a desafiar mecanismos desenvolvidos ao longo da evolução humana.