Monja Coen participou da SP Innovation Week e falou sobre os impactos das redes sociais, da ansiedade coletiva e da agressividade no comportamento humano.
monja zen budista Monja Coen afirmou que o crescimento da agressividade social e da ansiedade coletiva está ligado a transformações profundas no comportamento humano, impulsionadas pelo excesso de exposição digital, pela polarização e pelo enfraquecimento das relações presenciais. A declaração foi feita durante participação na SP Innovation Week, realizada em São Paulo.

Convidada para uma palestra no evento, a missionária afirmou que a ideia de que basta manter pensamentos positivos para resolver conflitos pessoais e sociais ignora aspectos reais da experiência humana. “A agressividade existe e não adianta só pensar positivo”, declarou. Segundo ela, sentimentos como raiva, medo e frustração fazem parte da condição humana e precisam ser reconhecidos para que possam ser compreendidos e enfrentados.
Monja Coen ganhou projeção nacional nos últimos anos por levar ensinamentos do budismo zen a um público mais amplo, principalmente nas redes sociais e em palestras sobre comportamento, espiritualidade e saúde emocional. Fundadora da comunidade Zen Budista no Brasil, ela também é autora de livros e costuma abordar temas ligados à ansiedade, convivência social e autoconhecimento.
Durante a entrevista concedida no evento, a religiosa comentou que o ambiente digital ampliou comportamentos impulsivos e contribuiu para o aumento da intolerância. Para ela, as redes sociais criaram uma dinâmica marcada por excesso de opiniões, disputas e estímulos permanentes.
“Nós vivemos em rede. Uma das ilusões de Buda é que tudo nos separa”, afirmou. Segundo a monja, o ambiente virtual favorece reações imediatas e dificulta o exercício da escuta e da convivência. Ela também relacionou esse cenário ao crescimento da polarização política e social observado nos últimos anos.
Ao falar sobre ansiedade, Monja Coen afirmou que o mundo atual produz uma sensação constante de urgência e insuficiência. “Vivemos uma época de muita ansiedade coletiva”, disse. Segundo ela, a comparação permanente nas redes sociais e a busca incessante por produtividade acabam gerando desgaste emocional.
A religiosa também comentou os impactos do uso excessivo do celular nas relações pessoais e familiares. Para ela, o excesso de conexão virtual vem reduzindo o tempo de convivência presencial. “É preciso que voltemos a trabalhar com ética no sentido do que é bom para o maior número de seres, não só para mim”, afirmou.
Durante a conversa, Monja Coen destacou que o contato humano continua sendo indispensável para o equilíbrio emocional. Ela defendeu que as pessoas retomem hábitos simples de convivência e reduzam o consumo exagerado de estímulos digitais.
A missionária também abordou o avanço da inteligência artificial e das novas tecnologias. Embora reconheça os benefícios das ferramentas digitais, ela alertou para o risco de substituir relações humanas por interações mediadas apenas por telas e algoritmos.
Questionada sobre o conceito de positividade excessiva, Monja Coen afirmou que negar emoções difíceis pode gerar ainda mais sofrimento. Para ela, reconhecer sentimentos negativos não significa alimentar o pessimismo, mas compreender a realidade de forma mais equilibrada. “Uma das suas frases de estudo é: ‘Uma dose fazemos, pensamos, falamos, mexe na teia da vida’. Explique melhor esse conceito”, perguntou a entrevistadora durante a conversa. Em resposta, a monja reforçou a ideia de interdependência entre as pessoas e os impactos coletivos das ações individuais.
A religiosa também comentou que a sociedade atual perdeu parte da capacidade de permanecer em silêncio e refletir. Segundo ela, o excesso de distrações e estímulos contínuos dificulta momentos de introspecção e descanso mental.
Ao longo da entrevista, Monja Coen defendeu práticas voltadas ao equilíbrio emocional, como meditação, pausas na rotina e fortalecimento das relações humanas. Ela afirmou que essas atitudes ajudam a reduzir níveis de ansiedade e contribuem para uma convivência mais saudável.
Mesmo tratando de espiritualidade, a monja ressaltou que suas reflexões não estão restritas ao campo religioso. Segundo ela, os problemas contemporâneos relacionados à saúde mental, agressividade e isolamento afetam diferentes grupos sociais e exigem respostas coletivas.
A participação da missionária integrou a programação da SP Innovation Week, evento voltado para inovação, tecnologia e comportamento realizado na capital paulista.