O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira 7 que Brasil e Estados Unidos decidiram criar um grupo de trabalho bilateral para avançar em acordos comerciais e discutir a revisão das tarifas aplicadas a produtos brasileiros. O anúncio foi feito após reunião com o presidente Donald Trump, realizada na Casa Branca, em encontro que também abordou cooperação em segurança pública, combate ao crime organizado e investimentos em minerais críticos.
Segundo Lula, os dois governos estabeleceram prazo de até 30 dias para apresentar uma proposta relacionada às tarifas comerciais. O encontro, que reuniu ministros dos dois países, durou cerca de três horas — mais de uma hora além do previsto — e foi descrito por integrantes da delegação brasileira como realizado em “clima amistoso”.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o governo brasileiro voltou a defender o encerramento da chamada “Seção 301”, investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos que sustenta parte das tarifas impostas sobre produtos brasileiros desde 2025. Segundo ele, não há justificativa técnica para a manutenção das medidas. “Estabeleceu-se uma discussão em torno das tarifas, do não cabimento das tarifas em relação aos produtos brasileiros”, declarou.
O governo brasileiro também buscou reforçar a retomada da relação comercial entre os dois países após um período de retração no fluxo bilateral. Dados recentes mostram queda nas exportações brasileiras para os Estados Unidos desde a adoção das sobretaxas impostas por Washington no ano passado.
Na área econômica, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Márcio Rosa, afirmou que o encontro tratou de investimentos bilaterais e mecanismos para ampliar o comércio entre os dois países. Já o secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, disse que o Brasil apresentou indicadores de crescimento e estabilidade econômica aos americanos, além de destacar o déficit comercial existente entre os dois países.
A cooperação em segurança pública apareceu como um dos principais eixos da reunião. O ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, classificou o encontro como “extraordinário” e afirmou que Lula propôs a criação de grupos permanentes de trabalho voltados ao combate ao crime organizado e à cooperação policial. Segundo Durigan, as ações conjuntas deverão priorizar fiscalização aduaneira, combate à lavagem de dinheiro e troca antecipada de informações sobre cargas internacionais.
O governo informou que operações conjuntas entre maio de 2025 e abril de 2026 resultaram na apreensão de mais de meia tonelada de armas irregulares provenientes dos Estados Unidos e de mais de uma tonelada de drogas sintéticas. Lula afirmou ainda que o combate às organizações criminosas exige coordenação regional e defendeu a criação de um grupo de trabalho envolvendo países da América Latina e da América do Sul.
Outro tema tratado foi a exploração de minerais críticos e terras raras. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que o Brasil apresentou aos americanos o novo marco regulatório do setor, aprovado para ampliar investimentos internacionais. Segundo ele, o governo brasileiro defende que as etapas de separação e refino dos minerais sejam realizadas no território nacional. “É mais barato investir e refinar os materiais no Brasil, gerando renda, emprego e divisas para o país”, afirmou.
Lula classificou os minerais críticos como tema ligado à soberania nacional e afirmou que o Brasil está aberto a investimentos estrangeiros sem alinhamentos geopolíticos preferenciais. O presidente também declarou que o país está disposto a discutir qualquer tema internacional, incluindo Cuba, Venezuela e Irã, e voltou a defender soluções diplomáticas para conflitos globais.
Ao comentar a reunião, Lula afirmou que o encontro representou “um passo importante na consolidação da relação democrática histórica” entre os dois países. O presidente também reforçou a defesa do multilateralismo, criticou interferências externas em processos eleitorais e afirmou que democracia e soberania são temas “inegociáveis” para o Brasil.