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Megatsunami

Estudo revela megatsunami no Alasca

Estudo aponta que aquecimento global contribuiu para deslizamento que provocou onda gigantesca em fiorde no sudeste do Alasca
Por O Correio de Hoje
08/05/2026 | 13:41

Pesquisadores identificaram no sudeste do Alasca o segundo maior tsunami já registrado no planeta. O fenômeno ocorreu em 10 de agosto de 2025, no Tracy Arm Fjord, dentro da Floresta Nacional Tongass, e gerou uma onda estimada em 481 metros de altura — superior ao Empire State Building. O estudo foi publicado nesta quarta-feira 6, na revista Science.

Segundo os cientistas, o tsunami foi provocado por um gigantesco deslizamento de terra desencadeado pelo recuo de uma geleira que sustentava parte da encosta rochosa. O aquecimento global e o aumento das temperaturas na região teriam reduzido a estabilidade geológica da montanha, permitindo o colapso de aproximadamente 64 milhões de metros cúbicos de rocha em cerca de um minuto.

Alasca
Onda de 481 metros provocada por deslizamento em fiorde no Alasca Foto: Reprodução/Internet

O principal autor do estudo, Dan Shugar, afirmou que o horário do evento evitou uma tragédia humana em uma das áreas turísticas mais visitadas do Alasca. O tsunami ocorreu às 5h30 da manhã, momento em que não havia embarcações turísticas ou navios de cruzeiro no fiorde. “O fato de o deslizamento ter ocorrido tão cedo pela manhã foi inacreditavelmente sortudo. Da próxima vez — e haverá uma próxima vez — podemos não ter tanta sorte”, afirmou.

O Tracy Arm fica cerca de 80 quilômetros ao sul de Juneau e possui aproximadamente 40 quilômetros de extensão, cercado por paredões de granito que ultrapassam mil metros de altura. A força da onda arrancou completamente a vegetação das encostas íngremes, deixando marcas visíveis que permitiram aos pesquisadores estimar a dimensão do tsunami.

Sem registros em vídeo ou fotografias do momento exato do fenômeno, os cientistas reconstruíram o episódio a partir de imagens aéreas posteriores, dados sísmicos, registros de satélite, trabalho de campo e relatos de testemunhas. A vegetação destruída funcionou como uma espécie de “marca de banheira” ao redor do fiorde, segundo os pesquisadores.

“A vegetação arrancada forma basicamente uma linha muito nítida, abaixo da qual há apenas rocha, sedimento e alguns tocos de árvores, e acima da qual há floresta virgem”, explicou Shugar. O geofísico Stephen Hicks, coautor do estudo, afirmou que o deslizamento gerou uma onda sísmica detectada em diferentes partes do planeta.

Parte da energia do tsunami ficou aprisionada no interior do fiorde, produzindo um fenômeno conhecido como seiche — uma oscilação prolongada da água — que durou vários dias e também gerou sinais sísmicos específicos. Evento semelhante ocorreu em 2023 no Dickson Fjord, quando um deslizamento provocou uma onda de cerca de 200 metros.

O maior tsunami já registrado oficialmente também ocorreu no Alasca. Em 1958, um deslizamento na Baía Lituya produziu uma onda estimada em 520 metros de altura.