A expansão do biometano no Brasil avança como alternativa para reduzir emissões de gases de efeito estufa, especialmente em setores como transporte e agropecuária. Produzido a partir da decomposição de matéria orgânica, o combustível renovável tem custo inferior ao etanol e se apresenta como solução para destinação de resíduos urbanos e industriais, segundo análise de Eudo Laranjeiras, presidente da Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Nordeste (Fetronor).
Diferentemente do biogás, o biometano passa por um processo de purificação que eleva a concentração de metano, tornando-o adequado para uso veicular. Desde 2015, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis reconhece o biometano como equivalente ao Gás Natural Veicular, com a vantagem de não ser de origem fóssil.

O potencial de produção no País é considerado elevado. Segundo o assessor de Energias Renováveis da Itaipu Binacional, Paulo Afonso Schimidt, estudos indicam que o volume possível de biogás no Brasil supera a capacidade de geração da própria Itaipu Binacional, sinalizando espaço para expansão da cadeia produtiva.
A empresa inaugurou recentemente uma planta pioneira em Foz do Iguaçu que utiliza uma combinação de esgoto, poda de grama e resíduos alimentares como matéria-prima. Até então, a produção nacional era baseada majoritariamente em dejetos animais. O projeto também prevê o reaproveitamento dos resíduos do processo como biofertilizantes, integrando geração de energia e economia circular.
Para complementar a operação, a unidade conta com uma microusina solar fotovoltaica, com capacidade instalada de 3 kWp e geração média de 350 kWh por mês, segundo o engenheiro Thiago Lippo. A estrutura integra ações de pesquisa e desenvolvimento voltadas à eficiência energética.
A planta tem capacidade de produzir até 4 mil metros cúbicos de biometano por mês, volume suficiente para abastecer cerca de 70 veículos atualmente, com potencial de expansão para até 300. Dados do CIBiogás indicam que o custo por quilômetro rodado com biometano é de R$ 0,26, inferior aos R$ 0,36 registrados com etanol.
O monitoramento dos resultados busca estruturar um modelo replicável em outras regiões do país, com foco em produtores rurais e municípios. Segundo o diretor-geral brasileiro de Itaipu, Luiz Fernando Vianna, a proposta é ampliar o acesso à tecnologia e reforçar o papel da energia limpa no desenvolvimento regional, integrando inovação, sustentabilidade e geração de valor econômico.