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Aumento

Gasolina recua, mas preço do gás dispara

Queda da gasolina e do diesel contrasta com alta do GLP, que pressiona o custo de vida no Rio Grande do Norte
Por O Correio de Hoje
23/04/2026 | 14:00

Os preços dos combustíveis no Brasil registraram movimentos distintos na primeira quinzena de abril, com queda da gasolina e do diesel, mas continuidade da alta do gás de cozinha. No Rio Grande do Norte, onde o consumo de GLP tem peso relevante no orçamento das famílias, o avanço do botijão reforça a pressão inflacionária, mesmo diante do alívio parcial nas bombas.


Segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), o preço médio da gasolina caiu pela segunda semana consecutiva, passando de R$ 6,77 para R$ 6,75 por litro, recuo de 0,30%. O diesel seguiu a mesma tendência, com queda de 1,62%, de R$ 7,43 para R$ 7,31. Apesar disso, ambos ainda acumulam altas relevantes desde o fim de fevereiro, de 7,48% e 21,23%, respectivamente, refletindo o impacto da valorização internacional do petróleo em meio à guerra no Irã.

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Queda nos combustíveis não compensa alta do GLP, que avança pela 5ª semana e pesa no orçamento das famílias Foto: José Aldenir / O Correio de Hoje


Na contramão, o gás liquefeito de petróleo (GLP) manteve trajetória de alta e subiu pela quinta semana seguida, chegando a R$ 114,39 o botijão de 13 quilos, aumento de 1,75% na comparação semanal. Desde o início do conflito no Oriente Médio, o avanço acumulado já é de 4,11%, consolidando o gás como principal vetor de pressão no custo doméstico de energia.


No Rio Grande do Norte, o impacto é mais sensível devido à ampla utilização do botijão nas residências. Diferentemente dos combustíveis automotivos, cujo consumo pode ser ajustado, o GLP tem baixa elasticidade de demanda, o que limita alternativas para as famílias. O resultado é um efeito direto sobre o custo de vida, especialmente nas camadas de menor renda.


A trajetória recente mostra que, embora a gasolina tenha oscilado de R$ 6,28 no fim de fevereiro para R$ 6,75 na semana mais recente, o movimento perdeu força nas últimas semanas. Já o diesel, que saltou de R$ 6,03 para R$ 7,31 no mesmo período, ainda reflete pressões acumuladas na cadeia logística. O GLP, por sua vez, apresenta uma escalada contínua, saindo de R$ 109,87 para R$ 114,39 em menos de dois meses.


O governo federal tem adotado medidas para conter os efeitos inflacionários, como a redução de tributos sobre o diesel e a ampliação da fiscalização sobre os preços nos postos. No caso do gás, no entanto, a volatilidade recente foi agravada por questões internas, incluindo um leilão da Petrobras com preços acima da referência, posteriormente suspenso após repercussão negativa.


O cenário indica que, apesar do alívio momentâneo nos combustíveis, o custo da energia doméstica segue pressionado. Para o Rio Grande do Norte, onde a renda média é mais sensível a variações de preços, a alta do gás de cozinha tende a manter impacto relevante sobre a inflação local e o poder de compra das famílias ao longo de 2026.